Casa Branca quer suspensão de assentamentos

Mas Bibi e Lieberman estudam construir mais 3 mil casas e centro comercial na Cisjordânia

Roberto Simon, O Estadao de S.Paulo

18 de maio de 2009 | 00h00

Diferentemente de seu predecessor, o governo do presidente americano, Barack Obama, defende o congelamento da ocupação israelense na Cisjordânia. No início do mês, o vice de Obama, Joe Biden, em discurso a uma organização lobista pró-Israel, pediu que "Israel pare de construir assentamentos e acabe com os postos avançados existentes". Ironicamente, os chamados "postos avançados" são uma das principais heranças do primeiro governo de Binyamin "Bibi" Netanyahu (1996-1999), que se encontra hoje com Obama na Casa Branca.Assinados pelo premiê Yitzhak Rabin em 1993, os Acordos de Oslo previam o fim da expansão israelense sobre territórios palestinos. Ao assumir o governo, em 1996, Bibi e seu ministro da Defesa, Ariel Sharon, idealizaram os postos avançados. "São construções ilegais não só de acordo com o direito internacional, mas também com o direito israelense", explica Gershon Gorenberg, autor de The Accidental Empire: Israel and the Birth of the Settlements - 1967-1977 (Império Acidental: Israel e o Nascimento dos Assentamentos).Os postos avançados não têm autorização da Justiça de Israel, ao contrário dos demais assentamentos, e geralmente abrigam poucas famílias em trailers e casas precárias construídas em locais de maioria árabe. Segundo Gorenberg, Bibi e Sharon incentivaram os postos, apesar dos compromissos de Oslo.Sob Bibi, a população de colonos cresceu 22%, chegando a 184 mil na Faixa de Gaza e Cisjordânia, sem contar as Colinas do Golan. "Mas houve crescimento mesmo quando a centro-esquerda e o centro estiveram no poder", disse Gorenberg. Em 2006, Sharon como premiê desmantelou à força os assentamentos em Gaza.SHOPPINGAgora, um dos pontos polêmicos da expansão israelense na Cisjordânia é a zona denominada E-1, conjunto que ligaria Jerusalém Oriental a Maale Adumim, segundo maior assentamento judaico."Será extremamente difícil ter um Estado palestino viável algum dia, caso Bibi autorize mesmo a construção nessa região, especificamente", disse Gorenberg.Até mesmo o governo George W. Bush, fortemente alinhado a Israel, chegou a condenar os planos em E-1.De acordo com o jornal israelense Haaretz, Bibi e seu chanceler, Avigdor Lieberman, estariam planejando a construção de 3 mil casas e de um centro comercial na região.

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