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Casa Branca recorrerá a obamistas

Novo governo usará 10 milhões de e-mails de campanha para criar união nacional em torno das reformas

Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

20 de janeiro de 2009 | 00h00

"Nós fizemos os telefonemas, nós assinamos os cheques e agora é hora de comemorar o papel que os voluntários tiveram na eleição de Barack Obama e Joe Biden. Vamos celebrar o amanhecer de um novo dia nos EUA." Essa é a mensagem do Baile do Povo, uma festa em comemoração à posse do presidente eleito. As milhares de pessoas que se sentem responsáveis pela eleição de Obama e também que, pela primeira vez, tiveram tanto engajamento em uma campanha, preparam-se agora para começar a "ajudar" o próximo presidente americano a governar.Dentro do governo Obama, a estratégia de mobilizar os "obamistas" para promover a agenda do presidente é chamada de Obama 2.0. A Casa Branca vai usar os cerca de 10 milhões de e-mails reunidos durante a campanha presidencial para conseguir apoio para políticas polêmicas, como a reforma do sistema de saúde, o combate às mudanças climáticas, imigração, o restabelecimento da influência dos EUA no mundo, entre outras.No sábado, centenas de pessoas que trabalharam como voluntários na campanha de Obama se reuniram em uma cúpula de ativistas organizada pelo grupo DC for Obama, na qual discutiram estratégias de promoção da agenda do "movimento". "Estamos prontos para mobilizar nossos membros nas questões que forem necessárias", disse ao Estado Alex Lawson, chefe do grupo.O DC for Obama tem 10 mil integrantes e está ligado a todas as outras entidades estaduais favoráveis ao presidente eleito. Eles não são instruídos pelo governo, mas votaram em Obama e apoiam muitas das iniciativas que o presidente pretende adotar."Podemos juntar milhares de pessoas para pressionar senadores em relação a determinados projetos", explica Lawson. "Podemos inundar o escritório de um senador de e-mails e telefonemas."''VIA DE DUAS MÃOS''A campanha tem se comunicado frequentemente com outros grupos de voluntários para ouvir opiniões. "Nós lutamos muito para eleger Obama e é uma via de duas mãos. Ele nos ouve, está atento para as reivindicações do movimento."Muitos, porém, podem acabar se decepcionando, porque com a crise econômica será muito difícil para Obama honrar grande parte de suas promessas. Contudo, para o analista político Ian Fried, "o mero fato de George W. Bush não ser mais presidente depois do dia 20 será uma enorme melhora". "Teremos pessoas melhores na Suprema Corte, melhores regulamentações", afirma Fried. "É claro que as grandes questões serão difíceis de implementar, mas as pessoas sabem disso e terão paciência."O governo vai criar uma equipe específica para cuidar da mobilização dos voluntários.Segundo o jornal Los Angeles Times, a organização poderia ter um orçamento de US$ 75 milhões (que virá de doações) e contar com centenas de funcionários, possivelmente um para cada distrito considerado importante. A organização faria uma espécie de "campanha permanente", com grupos de telemarketing, envio de e-mails e mensagens de texto. O governo acha que a rede de "obamistas" tende a crescer durante o governo - além dos 13 milhões de e-mails, foram três milhões de doadores de campanha, 2 milhões de pessoas que criaram perfis na página da internet de Obama, e mais de 1,2 milhão de voluntários.

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