Casa Branca teme avalanche de investigações dos democratas

Apesar das promessas de cooperação democrata, conservadores temem uma avalanche de investigações no Congresso nos próximos dois anos. O Iraque e as grandes corporações favorecidas pelo governo de George W. Bush serão os principais alvos. O primeiro sinal neste sentindo foi dado pelo deputado democrata Ike Skelton, futuro presidente da Comissão de Serviços Armados na Câmara. Skelton avisou que sua primeira tarefa é ?restabelecer a vigilância e investigação? na comissão. ?A fiscalização do Executivo praticamente desapareceu nos últimos seis anos e os democratas trarão de volta com força as investigações e questionamentos?, diz Norman Ornstein, pesquisador do conservador American Enterprise Institute. Os principais temas de investigação serão grandes lucros da indústria de petróleo e farmacêutica, assistência à saúde, contratos de reconstrução no Iraque e Afeganistão, as condutas do governo na guerra e pedidos de divulgação de documentos secretos da Casa Branca. Segundo Ornstein, os democratas também se valerão das investigações para tentar influenciar a política no Iraque. O impacto que o Congresso pode ter sobre a condução da guerra do Iraque é pelo bolso - os legisladores podem cortar recursos para o conflito. Mas os democratas já declararam que não farão isso. Segundo analistas, isso seria muito impopular. Mas acredita-se que o Congresso irá questionar fortemente iniciativas para o Iraque. ?Bush decide. Mas uma avalanche de críticas pode levá-lo a reconsiderar planos, embora ache improvável qualquer mudança drástica?, diz John Fortier, diretor-executivo da Comissão de Continuidade de Governo. A futura presidente do Congresso, a deputada democrata Nancy Pelosi, no entanto, não crê em caça às bruxas. ?Tem gente dizendo que chegou a hora de os democratas se vingarem. E eu digo: nós não vamos nos vingar. Nós vamos ajudar os americanos a avançarem. Essa é a nossa prioridade?, disse. ?Claro que o Congresso precisa investigar e fiscalizar o Executivo. O povo americano precisa saber sobre o (furacão) Katrina, sobre licitações, sobre (a empreiteira) Halliburton e Iraque. Acho que esses são três temas nos quais as investigações seriam necessárias?, prosseguiu Nancy. O novo Congresso abre espaço para colaboração de democratas conservadores, já apelidados de ?democratas Lou Dobbs? - referência ao comentarista conservador da CNN. Um exemplo é Heath Schuler, novo deputado pela Carolina do Norte, contra o aborto e ligado a grupos religiosos. E em relação às investigações, os democratas não podem exagerar - ou correm o risco de uma reação como a sofrida pelo ex-presidente do Congresso Newt Gingrich, ao impor sua sanha investigativa contra Bill Clinton. Os eleitores puniram os republicanos em 1998 com a perda de algumas cadeiras. Bush, conciliador e desafiante Dois dias depois da histórica derrota republicana nas eleições de meio de mandato, Bush disse que está disposto a receber sugestões sobre a política a ser adotada para o Iraque. ?Estou aberto a qualquer idéia ou sugestão que nos ajude a alcançar nosso objetivo de derrotar os terroristas e garantir o sucesso do governo democrático no Iraque?, afirmou o presidente em uma rápida declaração no jardim da Casa Branca. Estava ao lado de todo o seu gabinete, com o qual havia reunido pouco antes para analisar o futuro do governo. ?Não importa de que partido venham (as sugestões). Todos temos a responsabilidade de garantir que as tropas no Iraque tenham os recursos e o apoio necessários para vencer?, afirmou, um dia depois de ter anunciado a demissão de um dos principais arquitetos da estratégia americana no conflito, o secretário de Defesa Donald Rumsfeld. Para o lugar de Rumsfeld, Bush designou Robert Gates, ex-diretor da CIA e amigo de seu pai, o ex-presidente George H. Bush. Bush, que pela primeira vez desde que chegou ao poder terá de governar com minoria no Congresso, conclamou a oposição a estabelecer uma ?parceria? para os próximos dois anos de mandato. Os democratas basearam boa parte de sua vitoriosa campanha eleitoral nas críticas à política do governo para o Iraque, onde estão cerca de 140 mil soldados dos EUA. Mais de 2.800 americanos morreram ali em três anos e meio de guerra. Apesar da disposição de ouvir sugestões, Bush não mencionou em nenhum momento a retirada imediata das tropas do Iraque - opção que sempre descartou, argumentando que tal decisão caberia exclusivamente aos comandantes militares da região. No passado, o presidente também disse que não fixaria cronogramas em função dos desejos dos políticos. Logo depois da declaração, na quinta-feira, Bush almoçou com a futura presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, e com o segundo líder da bancada democrata na Casa, Stony Hoyer. Além da situação no Iraque, eles analisaram a agenda legislativa do novo Congresso. Bush apontou, entre as prioridades que vai destacar, a aprovação da Lei de Vigilância aos Terroristas - uma medida que torna legais escutas telefônicas por parte do FBI de suspeitos de terrorismo - e uma nova legislação sobre energia. Os democratas, que na terça-feira já tinham comemorado a conquista de mais da metade das 435 cadeiras da Câmara e se instalaram em 28 governos dos 50 Estados do país, tiveram a confirmação da maioria no Senado, com a conclusão da apuração na Virgínia.

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