Casa Branca vê "problemas e omissões" em texto iraquiano

A Casa Branca afirmou hoje existirem graves omissões e problemas na declaração de armas do Iraque, mas assessores do presidente George W. Bush não consideram que a acusação leve imediatamente a uma guerra. Na verdade, assessores acreditam que Bush trilhe um caminho um pouco mais paciente, que jogaria a perspectiva de uma ação militar para o próximo ano. Ele pretende usar a declaração para formar uma forte condenação pública ao Iraque, começando com um discurso que fará sexta-feira em Washington. Em questão está uma declaração de 12.000 páginas do Iraque sobres seus armamentos, exigida por uma resolução do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) apoiada pelos Estados Unidos, e a garantia do presidente Saddam Hussein de que não dispõe de armas de destruição em massa. "Nós já descobrimos muitas coisas na declaração, apesar de a revisão não ter sido concluída", afirmou o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, enquanto Bush se reunia com assessores de política externa a fim de discutir suas opções. "O presidente está preocupado com omissões na declaração e com problemas na declaração." Apesar de não oferecer detalhes dos planos de Bush, Fleischer adiantou: "Os Estados Unidos vão continuar com o tratamento muito ponderado ao lidar com a questão e as potenciais conseqüências". No momento em que Fleischer falava, o secretário do Exterior britânico, Jack Straw, ecoava o que assessores disseram ser a avaliação de Bush da declaração, considerando a afirmação de que o Iraque não dispõe de armas nucleares uma "evidente falsidade". Entre as "omissões óbvias" citadas por Straw estaria o fato de Saddam não dar conta de armas de destruição em massa que foram listadas no relatório final dos inspetores que deixaram o país, em 1998. Straw disse que aqueles inspetores haviam acusado Saddam de possuir gases nervosos, outros "precursores químicos" e munições. Autoridades da administração Bush envolvidas nas conversações adiantaram que o presidente não deve declarar imediatamente que o Iraque está em "flagrante violação" da resolução 1441 da ONU sobre armas, o que daria a ele o que assessores julgam seria uma justificativa legal para uma guerra. Ao contrário, assessores recomendam a Bush permitir que os inspetores continuem com seu trabalho, enquanto usa omissões na declaração para aumentar a pressão pública sobre as Nações Unidas e o Iraque. A estratégia que tem conquistado mais apoio na equipe Bush é a de aumentar a pressão sobre os inspetores de armas da ONU para pedirem entrevistas com cientistas de armas iraquianos fora do Iraque, uma prerrogativa dada ao órgão internacional pela resolução. Bush acredita que Saddam irá resistir à exigência, dando à sua administração provas de "flagrante violação" que aliados dos EUA e o público norte-americano pedem como justificativa para uma ação, evitando uma atitude apressada. Se o Iraque surpreender Bush e entregar os cientistas, oficiais dos EUA acreditam que eles oferecerão evidências que poderiam ser usadas contra Saddam. Bush e sua equipe de política externa discutiram sobre como coordenar a ofensiva de relações públicas envolvendo a declaração, inclusive quando Bush defenderia seu caso, e em que fórum. A Casa Branca tem dito repetidamente que dispõe de provas de que Saddam desenvolve programas de armas de destruição em massa, mas ainda não as apresentou publicamente. As autoridades afirmaram que a equipe de Bush tem várias e sérias considerações sobre o documento iraquiano, como não explicar o que ocorreu com o programa de armas químicas e biológicas de Saddam depois de 1998.

Agencia Estado,

18 Dezembro 2002 | 13h51

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