Jorge Abrego/EFE
Jorge Abrego/EFE

Casa de Evo Morales é saqueada na Bolívia; veja fotos

Residência na cidade de Cochabamba foi invadida ainda no domingo, horas depois de Evo anunciar sua renúncia à presidência do país

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2019 | 19h51

LA PAZ - A casa do ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, localizada na cidade de Cochabamba, no centro do país, foi saqueada e destruída por manifestantes no domingo, 10, horas depois de Evo ter anunciado sua renúncia à presidência do país. 

A residência, situada na zona oeste de Cochabamba, teve os vidros e enfeites quebrados, além de móveis, quadros e roupas tiradas do lugar. Na fachada e em alguns muros os vândalos picharam mensagens contra Morales, chamando-o de "assassino". As portas da casa agora estão lacradas. 

Cochabamba foi uma das regiões mais castigadas por episódios de violência na crise vivenciada pela Bolívia há mais de três semanas, com a morte de um jovem na semana passada e uma centena de feridos nas manifestações contra a reeleição de Evo. 

A região é berço do Chapare, uma zona cocaleira onde se acredita que Evo esteja escondido, apesar de não haver provas oficiais. Foi ali que ele iniciou sua trajetória sindical, antes de chegar ao poder em 2006.

Evo anunciou no domingo, 10, sua renúncia após quase 14 anos no poder, depois que ministros, parlamentários e governadores aliados a ele pediram demissão. 

O até então presidente havia aceito novas eleições depois de um informe da Organização dos Estados Americanos (OEA) ter recomendado um novo pleito, após detectar "graves irregularidades" em 20 de outubro, quando Evo venceu ainda em primeiro turno. Ele iria para o seu quarto mandato consecutivo como presidente, em meio a denúncias de fraude eleitoral. 

No domingo, os líderes opositores e cívicos, além dos dirigentes da Polícia e das Forças Armadas, recomendaram a sua renúncia para acabar com a tensão no país. Entretanto, o anúncio de Evo não pôs fim à violência e manifestações vividas no país desde o dia seguinte às eleições, quando a contagem dos votos ficou paralisada por quase 24 horas e, ao ser retomada, aumentou a vantagem de Evo na disputa. 

Logo após sua renúncia, as cidades vizinhas de El Alto e La Paz tiveram multidões nas ruas, que incendiaram e apedrejaram residências e saquearam comércios. O lugar mais atacado em La Paz foi a zona sul, que nas últimas semanas foi palco das maiores greves contra a reeleição de Evo. 

Também foram atacadas várias garagens do serviço municipal de transporte, que afetaram 64 ônibus, o equivalente a um terço da frota, segundo denunciou a prefeitura de La Paz. Entre as casas incendiadas, está a do reitor da universidade estatal Mayor de San Andrés e ex-procurador geral, Waldo Albarracín, crítico a Evo, além da casa de uma jornalista da Televisão Universitária de La Paz. / EFE

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