Thomas Kienzle / AFP
Thomas Kienzle / AFP

Casal alemão é condenado a 12 anos e meio de prisão por abusar do filho e oferecê-lo na internet

Caso provocou críticas sobre possível negligência das autoridades, já que o padrasto estava proibido de ter qualquer contato com crianças depois de cumprir uma pena de quatro anos por pedofilia

O Estado de S.Paulo

07 Agosto 2018 | 11h06

FREIBURG, ALEMANHA - Um casal alemão foi condenado nesta terça-feira, 7, a 12 anos e meio de prisão por prostituir e violentar o filho ao lado de seu marido, um pedófilo reincidente. O caso provocou críticas sobre possível negligência das autoridades com relação ao assunto.

Outras quatro pessoas foram condenadas nas últimas semanas a penas que variam de oito a dez anos de prisão.

Durante mais de dois anos, entre maio de 2015 e agosto de 2017, Berrin Taha, de 48 anos, e seu companheiro, Christian Lais, de 39 anos, um casal de desempregados alemães, ofereceram o menino a pedófilos na Darknet, como é conhecida a parte da internet que não tem referência nas ferramentas de busca e onde normalmente são realizadas transações ilegais, como de armas e drogas, além de prostituição.

O tribunal de Freiburg condenou a mãe e o padrasto a 12 anos e meio de prisão, e determinou medidas para atrasar sua libertação o máximo possível.

A mãe do menino, o qual tem 10 anos e vive com uma família adotiva, nunca explicou seus atos. O advogado de defesa tentou atenuar sua responsabilidade ressaltando a "dependência" da mulher de seu companheiro, o que foi rejeitado pelo tribunal.

O juiz Stefan Bürgelin considerou que a motivação inicial da mãe pode ter sido a continuidade do relacionamento com o marido, mas depois também houve "razões financeiras". O magistrado recordou que a mãe ainda abusou de uma menina que ficou sob sua responsabilidade.

O caso foi revelado após uma denúncia anônima em 2017. Depois, as confissões do padrasto - que já havia sido condenado por pedofilia e posse de material pornográfico com crianças - provocaram a detenção de vários clientes do casal, incluindo quatro alemães, um suíço e um espanhol.

Lais pediu ao tribunal que sua pena contemple as medidas necessárias para que possa iniciar terapia.

Abusos

Na segunda-feira, Javier González Díaz, um espanhol de 33 anos, foi condenado a 10 anos de prisão por ter violentado o menino várias vezes e filmado. Em troca de mais de € 10 mil euros pagos ao casal, o espanhol viajou ao menos quatro vezes de seu país até Freiburg para cometer os crimes, nos quais o menino era "humilhado, insultado, amarrado, encapuzado e maltratado", afirmou o tribunal.

Os policiais esperam que o caso permita deter outros pedófilos, com o apoio de vídeos e fotos de pessoas que cometeram os crimes e foram divulgados na Darknet.

O menino não tem nenhum contato com a mãe e "está bem, apesar das circunstâncias", afirmou seu advogado. O casal terá de pagar € 30 mil de indenização.

O serviço de proteção ao menor, a Justiça e a polícia foram muito criticados no caso porque o padrasto estava proibido de ter qualquer contato com crianças depois de cumprir uma pena de quatro anos de prisão - encerrada em 2010 - por pedofilia.

As advertências do serviço social de que Lais vivia na mesma casa que Berrin e seu filho não foram levadas em consideração pelas autoridades. "O caso não termina com esta decisão. Revela os fracassos judiciais e oficiais dos quais temos de tirar lições em escala nacional", disse Johannes-Wilhelm Rörig, comissário do governo alemão para a luta contra a violência a menores. / AFP

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