Casal morto sonhava com casa própria

Edilsimar e Natane, assassinados no México, planejavam também buscar a filha de 11 meses que ficou no Pará

Carlos Mendes ESPECIAL PARA O ESTADO BELÉM, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2010 | 00h00

O sonho do casal Edilsimar Faustino da Silva, de 23 anos, e Natane Amaral da Silva, de 22, assassinados por traficantes mexicanos quando tentavam ingressar ilegalmente nos EUA era comprar uma casa para viver com a filha de 11 meses, que ficou com familiares em Rondon do Pará, sudeste do Estado.

"O Edilsimar era um ótimo filho, que muitas vezes deixava de fazer coisas para ajudar outras pessoas. Ele não merecia ter morte tão trágica", declarou a mãe, Vera Lúcia Silva. Ela disse que as atenções da família agora estão voltadas para a neta, que, de vez em quando, chama pelos pais.

A Polícia Federal informou à família que ainda não há data para a liberação dos corpos. Os pais do casal querem que o Brasil exija do México apuração rigorosa e punição dos autores do massacre. "O governo não pode ficar de braços cruzados. São pessoas que tentavam melhor sorte em outro país porque aqui não havia oportunidades", disse Dayane Silva, irmã de Natane.

Ela contou que o casal havia viajado para São Paulo, de onde seguiu para a Guatemala. Depois, teriam ido a Reynosa, no Estado de Tamaulipas, no México, onde ficaram à espera dos coiotes, responsáveis pela travessia da fronteira com os EUA. À espera do contato, eles telefonavam sempre para a família. Edilsimar disse que buscaria a filha assim que arrumasse um emprego.

A preocupação veio quando a PF, na semana passada, buscou informações sobre o casal na cidade. Vera Lúcia desconfiou, mas só teve certeza quando foi informada sobre a identificação feita por exame de DNA. Dayane disse que reconheceu os corpos pela internet. "As roupas que eles usavam e os rostos eram facilmente reconhecíveis."

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