Casal processa clínica de fertilidade nos EUA por troca de embriões

Casal processa clínica de fertilidade nos EUA por troca de embriões

Testes de DNA confirmaram que nem o homem e nem a mulher estavam  geneticamente relacionados aos gêmeos e nem os dois bebês estavam geneticamente relacionados entre ele

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2019 | 21h19

NOVA YORK - Um casal em Nova York, nos EUA, abriu processo contra uma clínica de fertilidade após a mulher dar à luz dois bebês que não tinham parentesco com ela, com marido ou entre eles próprios.

Os demandantes - identificados apenas por suas iniciais, A.P e Y.Z - abriram a ação no início deste mês num tribunal do Brooklyn na qual exigem uma indenização pelos danos sofridos, que descrevem como "lesões emocionais importantes e permanentes das quais não se recuperarão". 

O casal iniciou em janeiro de 2018 um processo de fecundação in vitro (FIV) na clínica CHA de Los Angeles após seis anos tentando engravidar. 

Os médicos conseguiram criar oito embriões com seus espermatozoides e óvulos e seguiram para uma primeira implantação em julho de 2018, mas não tiveram sucesso. Em agosto, numa nova tentativa, informaram que o processo tinha dado certo e  eles teriam gêmeos.  

Mas após as primeiras ecografias, começaram a surgir as dúvidas: elas mostraram que os fetos eram dois meninos, apesar de apenas um dos oito embriões fecundados ser masculino e não ter sido implantado no útero da mulher.  

De acordo com o processo, os médicos da clínica "garantiram que eram duas meninas" e tudo estava bem. 

Em março deste ano a mulher deu à luz dois meninos que não tinham traços asiáticos, como os pais.  

Os testes de DNA confirmaram que nem o homem e nem a mulher "estavam  geneticamente relacionados aos bebês" e nem "os dois bebês estavam  geneticamente relacionados entre eles", segundo os documentos anexados ao processo. 

Os dois recém-nascidos eram filhos de outros dois casais que fizeram um tratamento na clínica e que agora possuem a guarda das crianças. Já os demandantes não sabem o que aconteceu com seus embriões. 

De acordo com a denúncia, o casal também quer saber se os embriões originais estão escondidos na clínica, congelados, perdidos ou destruídos. A clínica e dois médicos responsáveis, Joshua Berger e Simon Hong, estão sendo processados por erro profissional, negligência, descumprimento de contrato e publicidade enganosa. 

Agora, exigem a devolução de mais de US$ 100 mil pagos pelo tratamento e o ressarcimento de gastos médicos futuros, os salários perdidos e os danos morais. 

Já a clínica, que em seu site assegura oferecer "o maior grau de cuidado pessoal" e presume ter "tornado  realidade os sonhos de dezenas de milhares de aspirantes a pais", não fez  comentários ao ser contactada pela agência France Presse.  / AFP 

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