Casamento entre católicos e muçulmanos preocupa igreja na Itália

Os bispos italianos alertam os fiéis católicos para os riscos dos casamentos mistos- principalmente com muçulmanos. Informações e linhas de comportamento a serem seguidas estão sendo traçados num documento em fase de preparação por um grupo de estudiosos indicados pela Conferencia Episcopal Italiana- CEI, presidida pelo cardeal Camilo Ruini. O documento será entregue em todas as dioceses do país para preparar o clero e formar os fiéis - principalmente as mulheres. Segundo as estatísticas oficiais italianas os homens casam-se com estrangeiras católicas ou ortodoxas mas as mulheres com muçulmanos. São cerca de 1200 casamentos por ano e muitos não dão certo. De acordo com o jornal da Cei, Avvenire, de cada 13 separações uma é de casal misto. A união entre católicos e muçulmanos portanto é desaconselhavel e muito perigoso, segundo os bispos que recomendam extrema prudência antes de tomar uma decisão como essa. Para evitar problemas que podem surgir principalmente da concepção diferente que as duas religiões têm a respeito do matrimônio e que colocam a mulher em situação de absoluta disparidade de direitos em relação ao homem. O documento que ainda não tem data para ser distribuído nas dioceses, esclarece que a diferença não é apenas na questão da poligamia - aceita pelo mundo islâmico. É sobretudo a consideração do casamento como uma espécie de contrato privado por parte dos muçulmanos. Aspectos pastorais mas também jurídicos estão sendo examinados pela comissão para evidenciar os possíveis riscos relativos ao papel da mulher, a educação dos filhos e o direito patrimonial e hereditário. Os bispos italianos dizem que a iniciativa nada tem a ver com os atentados do dia 11 de setembro e alegam que a preocupação existe há muito tempo. Mas é difícil não relaciona-la com os últimos eventos e com as posições menos tolerantes que existem na igreja católica. Apesar das aberturas do papa Joao Paulo II no dialogo inter-religioso, há muita resistência, principalmente com relação ao mundo islâmico. Um dos maiores críticos da política do atual pontífice nessa área é o cardeal arcebispo de Bolonha- o ultra conservador Giacomo Biffi, que proibiu aos sacerdotes de sua cidade de colocar as paroquias à disposição dos imigrantes para encontros e ritos religiosos não católicos. Biffi pediu repetidas vezes ao governo que limite o ingresso de muçulmanos no país para privilegiar a entrada de católicos. "Há tantos: latino americanos ou filipinos", declarou, " fiquem de fora os fiéis de Alá que não são integráveis na identidade italiana".

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