Andrew Innerarity/Reuters
Andrew Innerarity/Reuters

Casamento gay e aborto são pontos importantes para eleitores da Flórida

Entre voluntários da campanha de Mitt Romney em West Palm Beach, a resistência ao casamento gay é evidente

Denise Chrispim Marin, enviada especial a Boca Raton, EUA,

06 de novembro de 2012 | 07h30

BOCA RATON, EUA - O ultraconservador Dean Marlin, de 71 anos, que vive na Flórida, acredita ser inevitável que o Partido Republicano aceite o casamento entre homossexuais no futuro próximo. As novas gerações, em sua opinião, trarão uma nova visão sobre esse tema, hoje tratado como tabu pela maioria dos republicanos. Ele confessa ter votado em candidatos democratas até a reeleição de Bill Clinton, em 1996. Desde então, queixa-se que o partido foi tomado por "socialistas" , prefere os republicanos e trabalha por eles.

Entre os voluntários da campanha de Mitt Romney em West Palm Beach, a resistência ao casamento gay é evidente. "Casamento deve ser somente entre um homem e uma mulher", afirmou a vendedora Libby Fatseas, de 68 anos, evangélica com formação católica. "Sou cristã. Não sei como um cristão pode votar pela continuidade de um governo não cristão", disse, em referência ao presidente Barack Obama.

Para Marlin, Obama teve o mérito de acabar com a política conhecida como "don't ask, don't tell" (não pergunte, não fale), adotada em relação aos homossexuais nas Forças Armadas. "Mas, nos primeiros anos de governo, Obama teve maioria nas duas casas do Congresso e não derrubou essa lei nem trabalhou para permitir o casamento entre homossexuais em todo o país", afirmou. "Ele só assumiu essa causa gay depois que John Biden (vice-presidente) se declarou a favor do casamento entre homossexuais."

A legalização do aborto é outra a questão nevrálgica entre os eleitores da Flórida, principalmente entre as mulheres . Pesquisa da Quinnipiac University, divulgada no dia 31, mostrou o presidente com 53% do voto feminino, contra 43% para Romney. Em setembro, a diferença era maior: 58% a 39%.

Marlin acredita que a religião não deve interferir nas leis. O aborto, para ele, deve estar entre os direitos das mulheres americanas. Sua visão o aproxima de três voluntárias do Partido Democrata em West Palm Beach, que consideram a proposta republicana de não permitir o aborto, salvo em casos de estupro e de risco para a mãe, um retrocesso.

As voluntárias democratas Ellen Feinberg, professora aposentada de 70 anos, Ronnie Marx, ainda ativa na área de tecnologia da informação, e Carol Kropp, professora de 71 anos, estão na vanguarda de muitas eleitoras do partido. Para elas, todas judias, Romney e os republicanos querem impor às mulheres o estilo de vida dos anos 50.

A mexicana Glória Pérez, de 56 anos, faxineira de um prédio de escritórios, tem opinião diferente. Ela considera o aborto um assassinato e o casamento está em contradição com a Bíblia. Mesmo assim, ela continua sendo uma eleitora fiel a Obama.

 

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