Amazon Studios
Amazon Studios

Casaquistão agora assume piada de Borat

Americano que mora no país convence governo que filme pode ajudar a divulgar o turismo local

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2020 | 03h00

Em 2005, Dennis Keen, um aluno do primeiro ano do ensino médio de Los Angeles, estava se inscrevendo para um programa de intercâmbio. Em meio às opções, ele considerou que seria radical e engraçado não ir à França ou à Espanha e tentar uma viagem ao Casaquistão. “As pessoas não sabiam onde ficava. Lá, existe o pré-Borat e o pós-Borat”, disse.

Ele se referia, é claro, a Borat - O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Casaquistão Viaja à América, comédia de Sacha Baron Cohen que chegou aos cinemas um ano depois, em 2006. 

No filme, Cohen finge ser um repórter de TV que visita os EUA vindo da ex-república soviética, cujo povo supostamente bebe urina de cavalo, considera as mulheres propriedade e celebra uma versão antissemita da corrida de touros – os animais são substituídos por judeus. O governo autoritário do Casaquistão baniu o filme, ameaçou processar Cohen e publicou um anúncio de quatro páginas no New York Times defendendo a honra do país.

Em 29 de setembro, quando Cohen lançou um trailer para uma sequência do filme, que estreou na sexta-feira na Amazon, o humorista estava preparado para outra luta com o governo do Casaquistão. No entanto, isso não aconteceu. “Foi como: ‘Ah, de novo?’”, disse Kairat Sadvakassov, vice-presidente do Conselho de Turismo do Casaquistão, que tem mestrado na Universidade de Nova York. Eles já estavam determinados a evitar reações exageradas. “Foi tomada a decisão de deixá-lo (o filme) morrer naturalmente”, disse Sadvakassov.

Mas Keen se envolveu. Depois de seu período no exterior, ele fez pós-graduação em Stanford, onde estudou com um professor do Casaquistão. Ele acabou se mudando para lá, casou-se com uma moradora e abriu um negócio oferecendo passeios a pé por Almaty, maior cidade do país. Keen agora apresenta um programa de viagens em um canal de TV estatal. 

Quando ele soube da sequência do filme, pensou que, em vez de ignorar Cohen, o Casaquistão deveria adotar o bordão do personagem Borat e transformá-lo no slogan turístico do país: “Casaquistão. Muito legal!”

Duas semanas atrás, Keen e um amigo, Yermek Utemissov, que ajuda estúdios de cinema estrangeiros a fazer filmagens no país, apresentaram a ideia ao Conselho de Turismo. O sim foi imediato. Os dois então produziram quatro anúncios de 12 segundos cada para a internet com o bordão. Utemissov disse não estar preocupado que os cidadãos fiquem bravos. “É uma geração mais nova”, disse. “Eles têm Twitter, têm Instagram, têm Reddit, sabem inglês, sabem memes. Eles entendem.”

Já Sadvakassov não tinha visto o filme antes de sua estreia, mas disse não se preocupar. “Na época da covid, quando os gastos com turismo estão parados, é bom ver o país mencionado na mídia.” 

Quando Cohen soube que o Casaquistão havia se revertido e abraçado sua franquia, ele explicou sua opção pelo país. “Escolhi o Casaquistão porque era um lugar sobre o qual quase ninguém nos EUA sabia nada, o que nos permitiu criar um mundo selvagem, cômico e falso. O verdadeiro Casaquistão é um belo país com uma sociedade moderna e orgulhosa, o oposto da versão de Borat.” / NYT

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.