Owen Humphreys/AP
Owen Humphreys/AP

Portas de casas de refugiados são pintadas de vermelho em cidade inglesa

Segundo o jornal 'Times', a medida tomada por empresa torna os migrantes alvo de ataques racistas

O Estado de S. Paulo

20 Janeiro 2016 | 21h33

LONDRES - Pessoas que buscam asilo na cidade de Middlesbrough, no norte da Inglaterra, estão sofrendo abusos por terem sido abrigadas em casas cujas portas são pintadas de vermelho, o que as torna alvos fáceis para racistas, noticiou nesta quarta-feira o jornal Times.

As casas são de propriedade de uma subcontratada da G4S, a gigante do setor de terceirização que tem sido envolvida numa série de escândalos ligados a casos de incompetência e abusos. Um porta-voz da G4S disse que a empresa subcontratada, a Jomast, vai repintar as portas.

Os refugiados em Middlesbrough disseram que ovos e pedras são lançados contra suas janela e fezes de cachorro, espalhadas em suas portas. Eles também são alvo de gritos racistas, segundo a reportagem do Times.

A Grã-Bretanha não recebeu imigrantes em número tão grande quanto o absorvido por outros países europeus em 2015, mas o nível de preocupação da população com a imigração é elevado, e as tensões se agravaram em muitas comunidades com alta concentração de migrantes.

O ministro da Imigração britânico, James Brokenshire, disse ter ordenado uma auditoria urgente sobre as casas dos refugiados no norte da Inglaterra, que são fornecidas pela G4S ao governo por contrato.

“Se encontrarmos qualquer evidência de discriminação contra as pessoas que buscam asilo, isso será tratado de imediato, e tal comportamento não será tolerado”, disse Brokenshire em um comunicado.

O Times citou o afegão Ahmad Zubair dizendo que pintou sua porta da frente de branco para conter o abuso, mas um funcionário da Jomast a repintou de vermelho com a alegação de que era política da empresa.

“Casas de asilados têm portas vermelhas. Todo mundo sabe disso”, afirmou Zubair, segundo o jornal. “As pessoas gritavam palavras de ódio em frente de casa e lançavam coisas em nossas janelas.”

Stuart Monk, dono e diretor-executivo da Jomast, disse ter comprado tinta em lotes para pintar todas as propriedades, uma prática comum entre proprietários de imóveis. / Reuters

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