Caso chileno alerta para risco de minas na China

País com o maior número de mortos do mundo no setor de mineração, a China deu ampla cobertura ao resgate dos mineiros no Chile, que mobilizou grande parte dos os internautas do país. Até a noite de ontem, ainda havia novos comentários sobre o assunto nos portais mais populares, como sina.com e 163.com.

Cláudia Trevisan, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2010 | 00h00

Muitos deles diziam que o governo chinês deveria se sentir envergonhado, já que sua performance em casos semelhantes teria sido pior que a demonstrada pelas autoridades chilenas. Mas a própria China realizou em abril um resgate espetacular de 115 mineiros, oito dias depois eles terem ficado presos em uma mina inundada por uma quantidade de água suficiente para encher 56 piscinas olímpicas, depois que operários quebraram acidentalmente a parede de um túnel abandonado.

Além de serem críticos à atuação de Pequim, os internautas atacaram a falta de transparência na divulgação dos acidentes, a corrupção que permite a minas operarem em situação ilegal e a complacência na punição dos responsáveis pelos acidentes. Os donos das minas escondem os acidentes com frequência para evitar a proibição da atividade.

A maior rede de televisão do país, a estatal CCTV, mostrou cenas ao vivo da operação de resgate no Chile e promoveu debates sobre as lições que a experiência pode deixar para a prevenção de acidentes do setor de mineração.

As minas do país estão entre as mais perigosas do mundo, com muitos dos padrões de segurança ignorados, na tentativa de atender à demanda crescente por carvão, fonte de cerca de 70% da energia chinesa.

A China depende do carvão para suprir quase 80% de suas necessidades energéticas e é de longe o país que registra o maior número de mortes no setor a cada ano. Só em 2009, 2.631 mineiros morreram vítimas de acidentes provocados principalmente por explosões ou inundações. Nos Estados Unidos, ocorreram 34 mortes no mesmo período.

A diferença entre os dois países é que a maioria das minas do Chile - incluindo a envolvida no acidente recente- é destinada à exploração de cobre.

A imprensa oficial da China destacou ainda o fato de que o guindaste utilizado para movimentação da cápsula que trouxe os mineiros à superfície foi fabricado pela empresa chinesa Sany. Um dos funcionários da companhia, Hao Heng, era o único cidadão asiático que integrava a equipe responsável pelo resgate no Chile.

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