How Hwee Young/Efe
How Hwee Young/Efe

Caso de aborto forçado na China gera três suspensões

Mulher foi obrigada a abortar no sétimo mês de gravidez e fato gerou indignação da população

AE, Agência Estado

15 de junho de 2012 | 13h21

PEQUIM - A China suspendeu três funcionários e desculpou-se com uma mulher que foi obrigada a abortar no sétimo mês de gravidez. O casou gerou indignação, depois que fotos da mãe e do bebê morto circularem na internet.

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A decisão tem como objetivo conter a repulsa do público em relação ao caso, que deu origem a novas críticas contra a questionada política do filho único. Com o objetivo de controlar o contínuo crescimento da população da China, a política tem resultado em constantes abortos e esterilizações forçados, impostos por autoridades que tentam não ultrapassar a cota de nascimentos definida por Pequim.

Feng Jianmei, de 23 anos, foi espancada por funcionários do governo e forçada a abortar o bebê de sete meses no dia 2 de junho, já que sua família não podia pagar a multa de 40 mil yuans (R$ 12,8 mil) por ter uma segunda criança, reportou a imprensa chinesa.

Fotos de Jianmei na cama do hospital com o bebê ensaguentado, foram postadas online e tornaram-se virais, gerando reações públicas de simpatia e indignação.

O governo da cidade de Ankang, na província de Shaanxi, noroeste da China, afirmou que o vice-prefeito visitou Jianmei e seu marido no hospital, para desculpar-se e dizer que os funcionários serão suspensos e investigados. A agência de notícias oficial diz que três funcionários deixarão seus cargos: dois chefes de planejamento familiar e o chefe do governo municipal.

Mas especialistas afirmam que é improvável que os suspeitos sejam realmente punidos: "é só um truque para lidar com o público", disse Liang Zhongtang, especialista em demografia da Academia de Ciências Sociais de Xangai. "Eu acho que este caso vai terminar sendo ignorado e esquecido como em casos similares no passado. As coisas sempre foram assim. Ninguém vai ser demitido", disse ele.

A China legalizou o aborto em 1950, mas a prática não se tornou comum até o governo começar a aplicar o limite de um filho. Críticos do controle da natalidade afirmam que a política gera desequilíbrio na proporção entre os sexos, já que as famílias tendem a abortar meninas, devido a tradicional preferência por meninos.

O governo afirma que o controle da natalidade evitou 400 milhões de nascimentos no país mais populoso do mundo, que tem 1,3 bilhões de habitantes.

As informações são da Associated Press

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