AFP PHOTO / JUAN MABROMATA
AFP PHOTO / JUAN MABROMATA

Caso de ativista desaparecido paralisa campanha eleitoral argentina

Partidos interrompem comícios depois de corpo que pode ser de Santiago Maldonado ter sido encontrado na Patagônia

O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2017 | 17h05

BUENOS AIRES - Os principais partidos políticos argentinos suspenderam nesta quarta-feira, 18, a campanha eleitoral para as eleições legislativas de domingo depois de um corpo que pode ser de um ativista indígena desaparecido ter sido encontrado em um  rio na Patagônia.

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 O caso de Santiago Maldonado, com paradeiro desconhecido desde agosto, mobilizou setores da sociedade argentina e rendeu acusações de abuso de autoridade contra a polícia e o governo do presidente Maurício Macri. Sua família acusou a polícia de plantar o corpo no rio, às vésperas da eleição.

O Partido Cambiemos, de Macri, e a Unidad Ciudadana, da ex-presidente Cristina Kirchner, suspenderam atos de campanha previstos para a noite de ontem, bem como vários candidatos ao Senado e à Câmara. 

O caso de Maldonado tem dominado a campanha eleitoral, após a qual Macri deve ampliar sua bancada no Congresso. O ativista de 28 anos desapareceu em um ato organizado pela minoria Mapuche por direito a terras na Província de Chubut, no sul do país. O corpo dele foi encontrado na terça-feira, no rio de mesmo nome, em um local 300 metros acima de onde o protesto ocorreu. 

Fontes da Justiça argentina dizem que há elementos suficientes para acreditar que o corpo é o de Maldonado. Segundo o juiz Gustavo Lleral, os restos foram encontrados depois de uma operação de busca conduzida por navios e cães farejadores. 

Familiares e ativistas contestam a versão de que o corpo foi encontrado em um local mais alto e num sentido inverso ao curso do rio e denunciam o desaparecimento forçado de Maldonado nas mãos da Gendarmería – a polícia militar argentina. 

“O corpo estava flutuando em um local que sempre se visita e se precorre”, disse Mabel Sánchez, diretora de uma ONG que auxilia a família da vítima. 

Os mapuches dizem que Maldonado foi espancado e detido pela Gendarmería durante a dispersão do protesto. “Até que seja feita a perícia não é possível esclarecer a identidade do corpo nem as causas da morte”, disse em nota a família do ativista. “Pedimos que se respeite o momento difícil que estamos vivendo.”

O Ministério Público determinou que a autópsia seja feita na presença de todos os envolvidos no caso. Macri ainda não se pronunciou oficialmente sobre a morte de Maldonado. / AFP, EFE e AP

 

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