AP Photo/Natacha Pisarenko
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Caso de ativista vira assunto principal no dia da votação na Argentina

Manifestantes acusam polícia de assassinar Maldonado; autópsia aponta afogamento como causa da morte

Luciana Dyniewicz, Enviada Especial / Buenos Aires , O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2017 | 21h30

O caso do ativista Santiago Maldonado, cujo corpo foi identificado na sexta-feira, foi um dos assuntos mais comentados deste domingo, 22, na Argentina. Logo após deixar seu local de votação, no bairro Palermo, em Buenos Aires, o presidente Mauricio Macri afirmou que é preciso prudência. “Deixemos trabalhar a Justiça, que, nos últimos dias, começou a colocar luz e verdade no que aconteceu”, disse.

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Maldonado desapareceu em agosto durante um protesto de índios mapuches por direito a terras no sul do país. Testemunhas diziam que ele havia sido espancado e detido pela Gendamería (polícia militar ligada ao Ministério da Segurança de Macri). O corpo do ativista foi encontrado na semana passada e os resultados preliminares da autópsia indicaram morte por afogamento.

No sábado, em Buenos Aires, manifestantes pediram a exoneração da ministra de Segurança, Patricia Bullrich. Hoje, no entanto, Macri negou a possibilidade de fazer mudanças em seu gabinete. Patricia votou pela manhã, também em Palermo, e deixou o local pela porta dos fundos, para fugir de um protesto. Poucos minutos antes, manifestantes usando máscaras com a foto de Maldonado haviam espalhados panfletos contra Patricia nas redondezas.

A governadora da Província de Buenos Aires, María Eugenia Vidal, líder política com os melhores índices de aprovação do país, pediu para que não se politizasse o caso e também falou que era preciso aguardar as investigações. O caso de Maldonado fez com que a campanha fosse encerrada antes do previsto. Por isso, a coligação de Macri, a Cambiemos, preparava uma comemoração para ontem mais modesta do que a de anos anteriores.

A ex-presidente Cristina Kirchner, que concorre a uma cadeira no Senado pela Província de Buenos Aires, não comentou o assunto. Com domicílio eleitoral em Santa Cruz, sul do país, ela não votou – a lei argentina permite a candidatura por região diferente de seu domicílio eleitoral. 

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