Caso de corrupção abre crise política na Índia

Um escândalo de corrupção envolvendo concessões de telefonia celular na Índia abalou a coalizão de governo e ameaça interromper a aprovação de projetos no Parlamento.

ALISTAIR SCRUTTON, REUTERS

16 de novembro de 2010 | 09h16

As suspeitas na concessão das redes 2G já levaram à demissão do ministro das Telecomunicações, mas não deve ameaçar a sobrevivência do governo comandado pelo Partido do Congresso.

O caso abala a reputação do maior partido indiano, que em 1989 perdeu uma eleição geral em parte devido a suspeitas de corrupção na compra de armas, envolvendo pessoas próximas ao então primeiro-ministro Rajiv Gandhi.

O Partido do Congresso voltou ao poder há seis anos, e obteve um novo mandato por ampla margem em 2009.

O partido nacionalista hindu Bharatiya Janata, que ao longo do último ano vem repetidamente obstruindo a aprovação de reformas, exigiu a instalação de uma CPI sobre o caso, ameaçando novamente bloquear a tramitação de projetos.

O jornal The Indian Express disse em editorial nesta terça-feira que o escândalo "maculou o governo inteiro". "Não podemos nos dar ao luxo de paralisar questões de governo enormemente importantes porque as energias da coalizão governista estão focadas em debelar as chamas da impropriedade e do escândalo."

O ministro Andimuthu Raja renunciou no domingo após uma auditoria do governo apontar um prejuízo de até 31 bilhões de dólares nos cofres públicos devido à concessão das licenças de telefonia celular em 2007-08. Cifras citadas anteriormente na imprensa indicavam um prejuízo de até 39 bilhões de dólares.

Raja é acusado de ter vendido as licenças a preços deliberadamente baixos, algo que ele nega. A quantia que o governo supostamente deixou de arrecadar equivale a todo o orçamento de defesa do país.

(Reportagem adicional de Henry Foy)

Tudo o que sabemos sobre:
INDIACORRUPCAOGOVERNO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.