EFE/ENRIQUE GARCÍA MEDINA
EFE/ENRIQUE GARCÍA MEDINA

Caso de corrupção põe campanha de opositor argentino na defensiva

Jornalista acusado renuncia a candidatura a deputado para não prejudicar Macri e seu partido Proposta Republicana

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE, BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

16 Setembro 2015 | 20h19

Uma denúncia de corrupção contra um candidato a deputado colocou na defensiva a campanha do principal nome opositor na disputa pela presidência argentina, o prefeito Buenos Aires, Mauricio Macri.

O acusado, o jornalista Fernando Niembro, renunciou nesta quarta-feira a sua candidatura pelo partido Proposta Republicana (PRO). O governo kirchnerista sustenta que ele usou sua produtora, La Usina, para prestar serviços de fachada ao governo da capital argentina, em troca de 23 milhões de pesos (R$ 9,2 milhões) entre 2012 e 2015. De acordo com a acusação, a empresa não tinha empregados e subcontratava as tarefas..

"Tomei essa decisão porque não quero que continuem me usando para prejudicar o projeto político a que pertenço. Um dos objetivos deles é provar que todos somos iguais a eles, mas não somos. Vou à Justiça, deixo meus futuros cargos e foros. Os que me acusam farão o mesmo?", escreveu o jornalista, uma celebridade no país por comentar jogos da Copa Libertadores. Antes de renunciar, ele foi afastado de seu trabalho pelo canal Fox Sports até que o caso seja esclarecido.

Embora a denúncia tenha surgido há dez dias, Macri manteve seu apoio a Niembro. Sua popularidade no meio esportivo era uma esperança da coalizão opositora, Cambiemos, de melhorar o desempenho na Província de Buenos Aires, que tem 37% do eleitorado do país e é governada pelo governista Daniel Scioli.

Niembro era o primeiro na lista de candidatos a deputado nacional por seu partido, o que praticamente garantiria sua eleição em 25 de outubro. 

A oposição tentou usar a desistência como fator positivo. "Nunca na política local alguém renunciou para responder pelas suspeitas", disse o prefeito eleito da capital argentina, Horacio Larreta, pupilo de Macri.

O líder da União Cívica Radical (UCR), Ernesto Sanz, aliado de Macri, também tentou demonstrar que a atitude diferencia a campanha opositora da governista. "Ele não quer ter nenhum amparo. Seria eleito facilmente deputado e teria foros privilegiados", disse.

Dois nomes da cúpula kirchnerista carregam acusações antigas e foram pressionados pela oposição a renunciar. O vice-presidente, Amado Boudou, é investigado por lavagem de dinheiro. O chefe de gabinete kirchnerista, Aníbal Fernández, uma espécie de porta-voz do governo de Cristina Kirchner, é suspeito de envolvimento com o narcotráfico.

Fernández insistiu para que Macri explique o caso. "Que Niembro renuncie não significa que o delito não tenha sido cometido. Fizeram contratações para benefício de um amigo de Macri. Ele tem de explicar porque assinou esses contratos."

Em Rosario, o prefeito de Buenos Aires referiu-se diretamente ao caso: "Não somos iguais a eles. Se nos denunciam, vamos com os papéis ao juiz e colaboramos. Refiro me a Fernando Niembro, que demonstrou que não estava aqui por um cargo e por isso renunciou", disse Macri no fim da tarde desta quarta-feira.

Ele aparece em segundo lugar nas pesquisas, atrás de Scioli e à frente do ex-o kirchnerista Sergio Massa. Para ganhar no primeiro turno, um candidato deve conseguir 45% dos votos válidos ou 40%, desde que abra 10 pontos porcentuais sobre o segundo colocado. 

Massa, que tenta conseguir um lugar num segundo turno contra Scioli, atacou Macri, a quem foi pressionado a se aliar para derrotar o kirchnerismo.

"Os que se apresentavam como mudança e pureza na política demonstraram que também abusam do dinheiro do Estado. Macri tem que explicar porque mantém práticas parecidas às do kirchnerismo. Como isso, o PRO demonstrou ser igual ao kirchnerismo."

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