Caso de internação é compatível com quadro de abscesso pélvico

Segundo especialistas, quando ocorrências do gênero são detectadas, há necessidade de cirurgia urgente

Karina Toledo, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2011 | 00h00

Especialistas ouvidos pelo Estado afirmam que a versão oficial sobre a condição de saúde do presidente Hugo Chávez é compatível com um quadro de abscesso pélvico. Nesses casos, é preciso operar rapidamente e manter o paciente internado entre 7 e 14 dias para tratamento com antibióticos endovenosos.

A gastroenterologista Lígia Maria Guimarães, do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, explica que o abscesso é um acúmulo de pus que pode ocorrer em qualquer região do corpo, em decorrência de uma infecção. "O organismo forma uma membrana inflamatória em volta da secreção para evitar que a infecção se espalhe. Mas essa membrana pode se romper a qualquer momento, então é preciso operar rapidamente."

Lígia, porém, ressalta que um abscesso não surge isoladamente. "É preciso que tenha ocorrido uma infecção em algum órgão da região pélvica", diz.

Para a infectologista Rosana Richtmann, o mais provável no caso de Chávez é que a origem da contaminação tenha sido o intestino. "Com a idade, a musculatura intestinal vai ficando flácida e forma bolsas, chamadas divertículos. Eventualmente, esses divertículos podem infeccionar."

Lígia também acredita que essa seja a explicação mais plausível. "Todos nós vamos ter divertículos no intestino mais cedo ou mais tarde. E eles podem ou não infeccionar", afirma. A incidência do problema chega a 30% em pessoas com mais de 40 anos e 80% em pessoas com mais de 80 anos. Segundo a médica, o quadro de Chávez é benigno se tratado adequadamente.

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