Caso de jornalista condenado como espião na China será analisado na ONU

O caso do jornalista Ching Cheong, de HongKong, condenado a cinco anos de prisão por espionagem, será levado ao Conselho de Direitos Humanos (CDH) da ONU, do qual a China fazparte, diz o jornal "South China Morning Post". Law Yuk-Kai, diretor do grupo Hong Kong Human Rights Monitor, anunciou que enviará "em breve" uma queixa formal ao CDH. O órgão substituiu em junho a obsoleta Comissão de Direitos Humanos eaceitou como membro a China, despertando críticas de ativistas e grupos de defesa dos direitos humanos. Ching, correspondente-chefe do jornal de Cingapura "The Straits Times", foi condenado na semana passada a cinco anos de prisão por um tribunal de Pequim. Ele foi considerado culpado de colaborar com agentes dos serviços taiwaneses quando trabalhava para o jornal. Segundo Law, o grupo levará o caso ao grupo de trabalho da ONU sobre detenções arbitrárias e ao enviado especial sobre liberdade deExpressão. "A China terá a obrigação de responder à comunidade internacional, com um relatório claro mostrando como Ching descumpriu a lei sobre espionagem. Também terá de demonstrar se ojulgamento foi justo", disse Law. A mulher do repórter, a também jornalista Mary Lau, anunciou que apelará esta semana. Seu principal argumento será de que a Fundaçãosobre Estudos Internacionais dos Dois Lados do Estreito, organização à qual supostamente o jornalista forneceu informação de inteligênciae sobre segredos de Estado, não é uma instituição dedicada à espionagem. O bispo católico de Hong Kong, cardeal Joseph Zen Ze-kiun, participará de uma oração conjunta, pedindo a libertação do jornalista. Os advogados do jornalista Zhao Yan, que colaborava com o "TheNew York Times" e foi condenado, também na semana passada, a três anos por fraude, apelaram na segunda-feira, segundo o "South China MorningPost". "Acreditamos que o veredicto foi errado", disse um de seus advogados, Guan Anping. "A lei foi aplicada de forma equivocada pelo tribunal. Ele não recebeu dinheiro, e aceita passar por um detector de mentiras", acrescentou. Os casos de Ching e Zhao fizeram aumentar a onda de protestos pela preocupante falta de liberdade de expressão na China. Segundo a organização Repórteres Sem Fronteiras, o país é "a maior prisão" de jornalistas e ciberdissidentes do mundo, com cerca de 50 repórteres detidos por publicar informações contrárias à linha oficial.

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