Caso de terrorismo na Espanha ajuda direita chilena

O indiciamento na Espanha de dois chilenos por uma tentativa de atentado a bomba em outubro contra a Basílica del Pilar, em Zaragoza, tornou-se o principal tema no último dia de campanha entre os candidatos ao Palácio de la Moneda. Isso porque os dois acusados no chamado "Caso Bombas" - ataques ocorridos entre janeiro de 2006 e janeiro de 2009 -, Francisco Solar e Mónica Caballero, foram absolvidos em um julgamento no Chile, onde eram também suspeitos de tentar explodir igrejas. Todos os candidatos na eleição de domingo foram indagados sobre a suposta falha no Judiciário chileno, mas a que mais tirou proveito do episódio foi a representante da direita Evelyn Matthei.

CENÁRIO: Rodrigo Cavalheiro, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2013 | 02h07

Durante a curta campanha, iniciada em agosto, ela defendeu uma reforma do Judiciário para combater a criminalidade - segunda preocupação dos chilenos, segundo pesquisa do Centro de Estudos Públicos, atrás apenas da saúde. "A oposição argumentou que o projeto era uma exibição do governo, mas agora (com as prisões na Espanha) vemos que estávamos certos", disse Evelyn ontem, em comício. Entre as propostas dela estava a criação de um conselho para fiscalizar o desempenho do Judiciário, razão pela qual foi criticada por associações de magistrados.

Como os meios de comunicação seguiram ontem a linha crítica à liberação da dupla de chilenos, a tese da candidata não só ganhou força, mas também desviou a atenção das perguntas, que estavam dirigidas para a divisão da direita. O senador Carlos Larraín, líder da Renovação Nacional, partido do presidente Sebastián Piñera, disse, a menos de uma semana da votação, que foi um erro escolher Evelyn, ministra do Trabalho de Piñera até julho, para ser candidata do governo. Em nome da união, ela minimizou a crítica e evitou discutir publicamente com o senador.

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