Luke MacGregor/Reuters
Luke MacGregor/Reuters

Caso dos grampos chega aos EUA e FBI apura escutas a vítimas do 11/9

Em carta a diretor da polícia federal americana, congressistas exigem apuração de denúncia de que o ''News of the World'' teria espionado parentes de mortos nos ataques de 2001; família de Jean Charles também teme ter sido ''grampeada''

, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2011 | 00h00

NOVA YORK

O escândalos das escutas ilegais na Grã-Bretanha cruzou o Atlântico. Ontem, o FBI (polícia federal americana) disse que abriu uma investigação para saber se o News Corp., grupo comandado por Rupert Murdoch, grampeou os telefones de vítimas dos atentados de 11 de setembro de 2001. "Estamos cientes das acusações e já abrimos uma investigação", afirmou um porta-voz do FBI, que pediu anonimato, às agências Associated Press e EFE.

A decisão foi tomada depois que o deputado republicano Peter King - e outros congressistas - escreveram para Robert Mueller, diretor do FBI, exigindo a apuração do caso. "De acordo com relatórios recentes, jornalistas que trabalhavam para o News of the World solicitaram a um policial de Nova York o acesso aos arquivos telefônicos das vítimas do 11 de Setembro", afirmou o congressista na carta.

Pesou também a pressão feita pelo senador democrata Jay Rockefeller, que fez um duro discurso pela abertura de uma investigação para determinar se a privacidade de cidadãos americanos foi violada. "As supostas escutas dos jornais da News Corp. contra uma gama de indivíduos, inclusive crianças, são ofensivas e uma grave transgressão da ética jornalística", disse Rockefeller.

   

 

 

  

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 O caso. As primeiras denúncias vieram a público em 2006, quando a família real desconfiou que havia sido grampeada após o News of the World publicar uma reportagem sobre uma contusão no joelho do príncipe William, da qual ninguém sabia.

Entre os grampeados pelo tabloide estariam celebridades, políticos e membros da família real. Entre os famosos grampeados estariam o príncipe William, a atriz Gwyneth Paltrow, o ator Hugh Grant, a modelo Elle Macpherson, o cantor George Michael e o prefeito de Londres, Boris Johnson.

Em 2007, Clive Goodman, repórter do News of the World, e o investigador Glen Mulcaire, contratado pelo tabloide para espionar os famosos, se declararam culpados, foram condenados e presos - Goodman cumpriu quatro meses e Mulcaire, seis.

O escândalo ganhou nova força na semana passada, após denúncias de que o tabloide também havia grampeado cerca de 4 mil pessoas - incluindo uma adolescente assassinada em 2002, familiares de pessoas que morreram nos atentados de Londres, em 2005, e de soldados mortos em combate no Afeganistão e no Iraque.

Investigadores britânicos encontraram também evidências de que Mulcaire teria subornado cinco policiais, pagando US$ 160 mil em dinheiro, em troca de informações. A onda de denúncias fez Murdoch anunciar o fechamento do News of the World, um dos jornais mais vendidos do país, e desistir da compra de uma TV por satélite, a British Sky Broadcasting (BSkyB).

Jean Charles. A família do brasileiro Jean Charles de Menezes, assassinado pela polícia britânica em julho de 2005, enviou uma carta ao primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron - com cópia para o vice-premiê Nick Clegg -, solicitando uma investigação sobre o possível grampo telefônico do qual teria sido vítima Alex Pereira, primo do brasileiro. O jornal The Guardian afirmou ontem que o telefone e algumas anotações de conversas de Alessandro Pereira constam dos documentos encontrados com Mulcaire. / AFP, AP, EFE e NYT

PONTOS-CHAVE

Telefones grampeados pela imprensa

Vítimas de terrorismo

Parentes de vítimas dos ataques a Londres, em 2005, familiares do brasileiro Jean Charles e de soldados britânicos mortos no Iraque e no Afeganistão

Homicídios

Escândalo ganhou força após denúncia de grampo do celular de Milly Dowler, de 13 anos, morta em 2002. Recados da caixa postal foram apagados

Família real

Em 2006, a realeza desconfiou de escutas ilegais após reportagem sobre uma contusão no joelho do príncipe William, da qual ninguém sabia

PARA LEMBRAR

O império de Murdoch

Proprietário de vários jornais, emissoras de TV, produtoras de cinema e sites de internet nos EUA, Austrália e Grã-Bretanha, o controlador da News Corp., Rupert Murdoch, de 80 anos, é um dos principais magnatas da indústria da comunicação. Conhecido pelo conservadorismo político - é notório entusiasta do Partido Republicano - e pela agressividade nos negócios, começou seu império nos anos 50 ao adquirir uma cadeia de jornais e revistas na Austrália. Rapidamente, expandiu os negócios para a Grã-Bretanha e para os EUA. Hoje, é dono da Fox, dos jornais New York Post, Wall Street Journal, The Times e The Sun, do estúdio de cinema 20th Century Fox e é acionista majoritário do time australiano de rúgbi Brisbane Broncos.

 

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