Caso em Ferguson reflete tensões entre 'comunidades de cor' e polícia, diz Obama

Obama afirmou que a decisão deve ser respeitada e fez um apelo para que os descontentes demonstrassem suas posições de maneira pacífica

Cláudia Trevisan, Correspondente / WASHINGTON, O Estado de S. Paulo

25 de novembro de 2014 | 06h58

Minutos depois do anúncio de que um júri de Missouri isentou o policial Darren Wilson de responsabilidade pela morte do jovem negro Michael Brown, o presidente Barack Obama fez um pronunciamento na Casa Branca no qual afirmou que os fatos que ocorreram em Ferguson refletem tensões entre "comunidades de cor" e a polícia em todo o país, em razão do histórico de discriminação racial dos EUA.

Enquanto Obama pedia que eventuais demonstrações contra a decisão fossem pacíficas, as ruas de Ferguson eram tomadas pela violência, com enfrentamentos entre a polícia e manifestantes. Carros foram incendiados, lojas atacadas e bombas de gás lacrimogênio lançadas contra os que protestavam.

Primeiro presidente negro da história dos EUA, Obama afirmou que a decisão deve ser respeitada e fez um apelo para que os descontentes com a conclusão do júri demonstrassem suas posições de maneira pacífica.

"Nós fizemos enorme progresso nas relações raciais ao longo de várias décadas. Negar esse progresso é negar a capacidade da América para mudar. O que também é verdade é que ainda há problemas e as comunidades de cor não estão inventando isso. Há situações nas quais a lei com muita frequência parece ser aplicada de maneira discriminatória", observou o presidente em pronunciamento na Casa Branca.

Pouco dias depois da morte de Brown, o secretário de Justiça, Eric Holder, esteve em Ferguson e ordenou a abertura de duas investigações federais relacionadas à morte de Brown: uma analisa as circunstâncias da morte do jovem negro e outra abrange a atuação do Departamento de Polícia da cidade. Nenhuma delas foi concluída até agora.

"A situação em Ferguson fala sobre desafios mais amplos que nós ainda enfrentamos como nação. Em muitas partes nesse país ainda existe profunda desconfiança entre polícia e comunidades de cor", ressaltou Obama.

Os negros integram 63% da população de Ferguson, mas representam 86% das pessoas paradas pela polícia e 92% das que terminam presas. Dos 53 policiais

que atuam na cidade, apenas três são negros.

O presidente pediu que as manifestações fossem pacíficas e que a polícia respeitasse o direito dos que pretendiam expressar seu descontentamento de maneira pacífica.

Segundo Obama, é possível progredir em relação aos problemas evidenciados em Ferguson. "Isso não será feito atirando garrafas, quebrando janelas de carros ou usando isso como pretexto para vandalizar propriedade e certamente não será feito ferindo ninguém", disse o presidente. "Para os que estão em Ferguson: há maneiras de canalizar suas preocupações de maneira construtiva e há maneiras de canalizar suas preocupações de maneira destrutiva."

Depois do pronunciamento de Obama, a tensão aumentou nas ruas de Ferguson. A rede CNN mostrou carros policiais e pelo menos um edifício incendiados e registrou a ocorrência de disparos. 

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