Caso Equador só se resolverá em 2009

Lula diz que reunião de alto nível com autoridades de Quito não ocorrerá antes do pagamento de parcela da dívida

João Domingos e Leonencio Nossa, O Estadao de S.Paulo

20 de dezembro de 2008 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, durante um café da manhã com jornalistas, que só voltará a conversar no dia 29 com o presidente do Equador, Rafael Correa, sobre a crise entre os dois países desatada pela ameaça de calote do país vizinho num empréstimo feito pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).Nessa data, vence a segunda parcela, de US$ 29 milhões, de um empréstimo original de US$ 243 milhões. O Equador já pagou US$ 15 milhões. "Vamos ver se eles vão pagar. Depois, a gente conversa", afirmou Lula. Numa entrevista ao Estado, ontem, Correa disse que pagará normalmente a parcela que vai vencer, porque pretende aguardar o resultado da arbitragem pedida pelo Equador a respeito da legalidade do empréstimo. De acordo com o governo do Equador, a Usina Hidrelétrica de San Francisco - que teve financiamento do BNDES - foi mal construída pela Odebrecht, o que justificaria o não pagamento de parte do empréstimo. Ainda em conseqüência da disputa sobre a usina, o governo equatorianos expulsou, em setembro, a Odebrecht do Equador. Lula disse que o BNDES não tem nada a ver com os problemas ocorridos com a obra. "O contrato foi fechado durante outro governo. Uma empresa equatoriana é que informava ao BNDES quando é que era para liberar as parcelas. O que o banco tem a ver com isso?", disse o presidente."Foi apenas o repassador do dinheiro. Eu disse isso ao Correa numa reunião que tivemos lá na Bahia", afirmou Lula. "Se querem questionar a obra, quanto foi gasto, que processem as empresas envolvidas, não o BNDES."PARAGUAICom relação ao presidente do Paraguai, Fernando Lugo, que reivindica mudanças no acordo sobre a compra de energia de Itaipu da parte paraguaia pelo Brasil, Lula disse que os ministros das Relações Exteriores, da Fazenda e de Energia dos dois países precisam se reunir para encontrar uma solução sobre a tarifa paga."Vamos fazer um encontro de alto nível entre esses ministros. Eu acho que o Brasil está certo, cumprindo rigorosamente o que foi acordado", afirmou. Lula relatou que ouviu do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, no encontro ocorrido na Costa do Sauípe, na Bahia, que pretende manter boas relações com os Estados Unidos. "Espero que o (presidente eleito Barack) Obama tenha ouvido", disse o presidente. Segundo Lula, o Brasil vem encontrando um ambiente propício para intermediar as relações entre países latino-americanos com os Estados Unidos.Ele mencionou a proposta apresentada pelo presidente cubano Raúl Castro, de trocar presos políticos em Havana por cinco agentes do serviço de inteligência de Cuba detidos em Miami há dez anos por espionagem."Seria importante que Obama ajudasse a América Latina, até para evitar a imigração", disse Lula.

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