ANDY SWENSON/via REUTERS
ANDY SWENSON/via REUTERS

Caso George Floyd: morte de homem negro por policial causa comoção nos Estados Unidos

FBI investiga morte em Minneapolis; vídeo filmado por testemunha mostra George Floyd, de 40 anos, imobilizado no chão, dizendo 'não consigo respirar', enquanto policial mantém joelho sobre seu pescoço

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2020 | 12h55

MINNESOTA - A morte de um homem negro em Minnesota, nos Estados Unidos, causou uma onda de indignação depois da divulgação de um vídeo que mostra um policial branco ajoelhado no pescoço dele.

Nas imagens, divulgadas nesta quarta-feira, 27, o homem, identificado como George Floyd, de 40 anos, reclama e diz repetidamente: "Não consigo respirar", enquanto o policial que o rendeu continua ajoelhado sobre seu pescoço para imobilizá-lo. 

Pouco depois, ele parece não se mexer, antes de ser colocado em uma maca e transferido para uma ambulância.

A polícia local disse em comunicado que Floyd morreu "após um incidente médico durante uma interação policial". A polícia estava respondendo a uma chamada dizendo que um homem tentava usar cartões falsos em uma loja de conveniência.

Dois policiais localizaram o suspeito em um veículo. Segundo eles, ele "parecia estar intoxicado". Eles ordenaram que saísse do veículo, mas o homem resistiu, segundo a versão da polícia.

"Os policiais conseguiram algemar o suspeito e notaram que ele parecia estar sofrendo de problemas médicos", acrescentou o comunicado.

Vídeo desmente policiais

No vídeo de 10 minutos filmado por uma testemunha, um policial mantém Floyd no chão, que, a certa altura, diz: "Não me mate".

Testemunhas pedem ao policial que retire o joelho do pescoço do homem, observando que ele não estava se mexendo. Alguns dizem que "seu nariz está sangrando", enquanto outro pede: "Saia do pescoço dele".

A polícia disse que nenhuma arma foi usada durante o episódio e que as imagens das câmeras foram enviadas para o Departamento de Execução Penal de Minnesota, que também iniciou uma investigação.

Em declarações à imprensa norte-americana na terça-feira, a chefe da polícia de Minneapolis, Medaria Arradondo, disse que a política de uso da força "para colocar alguém sob controle" será revisada. O FBI não comentou o caso.

O FBI juntou-se à investigação dos eventos, informou o Departamento de Polícia de Minneapolis (MPD, na sigla em inglês) em comunicado na terça-feira.

Reações contra a polícia

O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, disse no Twitter na segunda-feira que "quatro policiais do MPD envolvidos na morte de George Floyd foram demitidos".

Em entrevista coletiva na terça-feira, o prefeito descreveu o incidente como "completa e absolutamente desastroso".

"Acredito no que vi e o que vi está errado em todos os níveis", disse Frey. "Ser negro nos EUA não deveria ser uma sentença de morte."

A senadora do Minnesota Amy Klobuchar, que foi pré-candidata presidencial democrata nas primárias, divulgou um comunicado pedindo uma "investigação externa completa e abrangente". "Justiça deve ser feita por esse homem e sua família, justiça por nossa comunidade, justiça por nosso país", afirmou.

Vários famosos se manifestaram sobre o caso, postando em suas redes sociais que justiça sobre o caso deve ser feita. Artistas como Penélope Cruz, Viola Davis, Eva Longoria, e esperotistas como Lewis Hamilton e o  jogador de basquete Lebron James escreveram em seu Instagram sobre o caso.

A cantora Madonna também fez um post em sua conta no Instagram. 

'Não consigo respirar'

O episódio lembra o que aconteceu com Eric Garner, um negro que morreu ao ser preso em 2014 em Nova York. Garner repetiu "Não consigo respirar" 11 vezes. Ele era suspeito de vender ilegalmente cigarros avulsos. 

Ele foi imobilizado por um policial branco, que aplicou nele uma  uma chave de estrangulamento. Um médico legista da cidade apontou que o estrangulamento contribuiu para a morte de Garner. O policial envolvido na prisão mortal de Garner foi demitido mais de cinco anos depois, em agosto de 2019.

A frase se tornou tornou-se um grito de guerra para ativistas que protestam contra brutalidade policial contra negros. /AFP, REUTERS E W.POST

 

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