Caso ´Hirsi´ derruba governo da Holanda

O primeiro-ministro da Holanda, Jan Peter Balkenende, dissolveu nesta quinta-feira seu governo de coalizão, que estava no poder havia três anos, por ter ficado sem o apoio da maioria no Parlamento após uma controvertida questão imigratória. Balkenende disse que entregará na sexta-feira o pedido de renúncia à rainha Beatriz. A decisão obriga o governo a convocar eleições parlamentares dentro de três meses.Balkenende fez o anúncio depois que o partido centrista D66, o menor dos três que integravam o governo, retirou-se da coalizão em protesto pela permanência da ministra da Imigração, Rita Verdonk, no cargo.A crise política teve início em maio, quando Verdonk retirou a nacionalidade holandesa da deputada Ayaan Hirsi Ali, de 36 anos, de origem somali e muçulmana, por ter sido comprovado que ela mentiu sobre seu nome e data de nascimento, ao pedir asilo político em 1992. Ayyan renunciou ao mandado, mas depois de forte pressão internacional e do Parlamento holandês, Verdonk voltou atrás e manteve a cidadania dela.Ayyan se tornou mundialmente conhecida por ter escrito um roteiro cinematográfico que criticava o tratamento dado às mulheres no mundo islâmico. Em 2004, um fanático muçulmano assassinou o diretor do filme, Theo Van Gogh, o que causou comoção na Holanda. O partido D66 exigia a demissão da ministra, considerada uma linha-dura, e por isso apoiou uma moção apresentada por um partido de oposição que pedia a saída dela. Como a moção foi derrotada, o D66 retirou o apoio a Balkenende.A imigração é uma forte preocupação dos holandeses. Em março o governo baixou em março um pacote de leis para dificultar a entrada de estrangeiros sem "qualificações essenciais".

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