EFE/EPA/Matt Marton
Manifestantes em Kenosha dias após a violência policial contra Jacob Blake  EFE/EPA/Matt Marton

Caso Jacob Blake: Entenda os novos protestos nos Estados Unidos

Homem de 29 anos levou sete tiros da polícia pelas costas em cidade do Winsconsin; imagens filmadas por vizinho ganharam o mundo e motivaram manifestações

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2020 | 14h00

A violência contra Jacob Blakeum homem negro que levou sete tiros pelas costas da polícia em Kenosha, no Wisconsin, nos Estados Unidos, desencadeou uma nova onda de protestos antirracistas e indignação no país. 

Um vídeo gravado no momento da abordagem mostra o homem negro indo até seu carro, acompanhado de perto por dois policiais com armas em punho. Ao abrir a porta do veículo em que estavam seus três filhos, Blake, de 29 anos, é atingido por sete disparos. Ele está internado, mas ficou paralisado da cintura para baixo, de acordo com sua família. 

"Eles atiraram contra o meu filho sete vezes, sete vezes, como se ele não importasse", disse o pai do rapaz, também chamado Jacob Blake. "Mas meu filho importa. Ele é um ser humano e sua vida importa." 

O procurador-geral de Wisconsin, Josh Kaul, declarou na noite de quarta que identificou o policial branco que atirou em Blake como Rusten Sheskey, um veterano que trabalha há sete anos na força policial da cidade. Toda a cena foi filmada por um morador e viralizou nas redes sociais. 

O procurador-geral relatou que Blake reconheceu ter uma faca "em sua posse", escondida no carro, quando foi atingido pelos policiais. A faca foi encontrada no meio dos bancos dianteiros do carro pelos policiais. Um advogado da família disse que entraria com uma ação civil contra o departamento de polícia pela ação. Dois policiais foram suspensos e foi aberta uma investigação.  

As imagens ganharam o mundo por terem acontecido poucos meses depois do caso de George Floyd, homem negro que morreu após um policial manter o joelho em seu pescoço e impedi-lo de respirar por minutos. 

Protestos contra a violência policial eclodiram no Wisconsin após mais uma ação policial que culminou em violência contra um homem negro. Manifestantes antirracismo e contra a violência policial se reuniram sob o lema: “Sem justiça, sem paz”. Outras regiões do país também tiveram manifestações. 

Em Minneapolis, onde a morte de Floyd, em 25 de maio, desatou uma mobilização nacional contra o racismo, manifestantes queimaram uma bandeira dos EUA. Pelo menos 11 pessoas foram presas no centro da cidade depois que as autoridades disseram que os manifestantes começaram a destruir propriedades públicas.

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Caso Jacob Blake: FBI vai investigar violação de direitos civis da polícia de Kenosha

Esta é a segunda investigação federal aberta pelo Departamento de Justiça para apurar um caso envolvendo um policial branco e um homem negro

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2020 | 13h34

O Departamento de Justiça dos EUA anunciou nesta quarta-feira, 27, que vai abrir uma investigação federal sobre violação de direitos civis pelo policial Rusten Sheskey, identificado como o responsável por disparar sete vezes contra Jacob Blake na cidade de Kenosha, em Wisconsin. Em um comunicado, o departamento confirmou que o FBI vai conduzir o inquérito em cooperação com as autoridades do Estado.

"A investigação federal ocorrerá paralelamente e compartilhará informações com as autoridades estaduais na medida do permitido por lei", disse o departamento em seu comunicado.

Esta é a segunda investigação desse tipo que o Departamento de Justiça faz envolvendo um policial branco e um homem negro. Em maio, o departamento abriu um inquérito sobre Derek Chauvin, um policial de Minneapolis que foi filmado ajoelhado no pescoço de George Floyd durante uma abordagem. Floyd morreu pouco tempo depois, e o assassinato desencadeou uma série de protestos no país sobre o tratamento dado aos negros pela polícia e sobre injustiça racial.

Quando a investigação sobre a conduta de Chauvin foi anunciada, o procurador-geral William Barr disse que ela prosseguiria rapidamente. No entanto, uma porta-voz do departamento disse na quarta-feira, 26, que não tinha nenhuma atualização a fornecer sobre o caso.

Defensores dos direitos civis, e até mesmo alguns advogados da Divisão de Direitos Civis do Departamento de Justiça, duvidam que o departamento anuncie uma decisão ou tome medidas em qualquer dos casos antes da eleição presidencial, especialmente considerando que o presidente Trump construiu sua campanha de reeleição em parte em torno de seu firme apoio aos policiais.

As acusações criminais em ambos os casos podem distanciar os apoiadores de Trump, e as decisões de não processar podem inflamar ainda mais os protestos que têm varrido o país desde maio.

Barr e outros funcionários do governo insistem que o racismo sistêmico não existe nas forças policiais do país, e o Departamento de Justiça de Trump parou de usar decretos de consentimento e outros meios para investigar, monitorar e coibir abusos policiais.

Os apoiadores de Barr dizem que ele já teve sucesso em casos contra policiais no passado. Quando ele era procurador-geral do presidente George Bush, o Departamento de Justiça acusou quatro oficiais brancos de Los Angeles que espancaram Rodney King, um motorista negro, de violar os direitos civis depois que o caso estadual contra eles terminou em absolvições. Dois dos policiais foram condenados na esfera federal.

O anúncio sobre o envolvimento do Departamento de Justiça veio na quarta noite de protestos, quando centenas de manifestantes marcharam pacificamente por Kenosha.

Muitas janelas de empresas foram fechadas com tábuas depois que a violência eclodiu nas noites anteriores, e a polícia fez uma busca rápida em um caminhão que parecia transportar comida e água para os manifestantes, mas não houve relatos de confrontos.

Os manifestantes se reuniram mais uma vez perto do Tribunal do Condado de Kenosha, enquanto alguns bloquearam temporariamente um cruzamento próximo. Eles continuaram a marchar pelos bairros depois da meia-noite e mantiveram um momento de silêncio perto do local do tiroteio./ The New York Times

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Policial que atirou em homem negro pelas costas em Kenosha é identificado

Procurador-geral de Wisconsin afirmou que Blake tinha uma faca escondida no carro, e que policiais tentaram usar arma de choque

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2020 | 08h57

O procurador-geral de Wisconsin, Josh Kaul, declarou na noite desta quarta-feira, 26,  que identificou o policial branco que atirou em Jacob Blake várias vezes em Kenosha como Rusten Sheskey, um veterano que trabalha há sete anos na força policial da cidade.

O caso de violência policial contra Blake provocou uma nova onda de protestos contra o racismo nos Estados Unidos. Um vídeo gravado no momento da abordagem mostra o homem negro indo até seu carro, acompanhado de perto por dois policiais com armas em punho. Ao abrir a porta do veículo, Blake é atingido por sete disparos.

De acordo com Kaul, Sheskey é o policial que disparou contra Blake. Ele e os outros policiais envolvidos na ocorrência foram colocados em licença administrativa até que a investigação seja concluída.

O procurador-geral também relatou que Blake reconheceu ter uma faca "em sua posse", escondida no carro, quando foi atingido pelos policiais. A faca foi encontrada no meio dos bancos dianteiros do carro pelos policiais.

A informação fazia parte de uma atualização que Kaul forneceu sobre a investigação do Departamento de Justiça de Wisconsin sobre os tiros contra Blake no domingo, o que levou a protestos que entraram no quarto dia nesta quinta-feira, e com violência em algumas situações.

Os advogados que representam Blake disseram que a polícia foi a agressora. Blake, disseram os advogados, "não fez mal a ninguém nem representou nenhuma ameaça à polícia, mas eles atiraram nele sete vezes nas costas na frente de seus filhos", que estavam no carro no momento do incidente.

Quanto à faca, os advogados disseram: "Testemunhas confirmam que ele não tinha uma faca e não ameaçou os policiais de forma alguma".

O que se sabe até aqui

O procurador relatou os fatos conhecidos até o momento pela Justiça americana. A ordem cronológica dos eventos, segundo o procurador, foi a seguinte:

Os policiais responderam ao relato de uma mulher de que "seu namorado estava presente e não deveria estar no local".

Depois de responder à chamada, os policiais tentaram prender Blake. Não ficou claro, a partir da declaração do procurador-geral, qual conexão de Blake com a chamada que solicitou os policiais, se é que havia.

Durante a abordagem de Blake, os policiais dispararam uma arma de choque contra ele, mas “não tiveram sucesso” em detê-lo. "Blake deu a volta em seu veículo, abriu a porta do motorista e se inclinou para frente”, escreveu Kaul.

Nesse ponto, o oficial Sheskey agarrou a camisa do Blake e disparou sua arma repetidamente. A polícia de Kenosha não usa câmeras corporais, observou Kaul.

O procurador-geral disse que a Divisão de Investigação Criminal do Departamento de Justiça do Estado planejava relatar suas conclusões a um promotor em 30 dias, e que o promotor determinaria quais acusações, se houver, seriam apresentadas.

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'Estamos pedindo justiça para Jacob Blake', dizem jogadores dos Bucks após boicote na NBA

Atletas participaram de teleconferência com o procurador-geral de Wisconsin, onde ocorreu o caso no último domingo

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2020 | 21h30

Responsáveis por iniciar um boicote que forçou o adiamento de três jogos pelos playoffs da NBA nesta quarta-feira, os jogadores do Milwaukee Bucks se pronunciaram poucas horas depois da decisão e pediram justiça para o caso de Jacob Blake. George Hill e Sterling Brown foram os escolhidos para representar o elenco. O pronunciamento ocorreu após os jogadores participarem de uma teleconferência com o procurador-geral de Wisconsin, Josh Paul, e o vice-governador Mandela Barnes. 

"Estamos pedindo justiça para Jacob Blake e exigindo que os oficiais sejam responsabilizados. Para que isso ocorra, é imperativo que o Legislativo do Estado de Wisconsin se reúna após meses de inação e tome medidas significativas para tratar de questões de responsabilidade policial, brutalidade e reforma da justiça criminal", afirmaram os jogadores no comunicado.

O caso que motivou o protesto dos jogadores ocorreu no último domingo, em Wisconsin. Os policiais respondiam a um distúrbio doméstico. Segundo os advogados de Blake, o homem de 29 anos tentava separar uma briga entre duas mulheres. Ele levou sete tiros pelas costas ao ir até o seu carro. Os seus três filhos estavam no veículo. Está internado em estado estável, mas paralisado da cintura para baixo e, segundo sua família, só um milagre para voltar a andar. Toda a cena foi filmada por um morador e as imagem foram espalhadas internacionalmente.

"Os últimos quatro meses lançaram uma luz sobre as injustiças raciais em curso que as comunidades afro-americanas enfrentam. Cidadãos de todo o país têm usado suas vozes e plataformas para se manifestar contra esses delitos", afirmaram os jogadores. "Incentivamos todos os cidadãos a se educarem, a tomarem medidas pacíficas e responsáveis e a se lembrarem de votar em 3 de novembro", completaram.

Antes do pronunciamento da equipe, os proprietários do Milwaukee Bucks já haviam divulgou um comunicado para apoiar os jogadores. "Nós apoiamos totalmente nossos jogadores e a decisão que eles tomaram. Embora não soubéssemos de antemão, teríamos concordado com eles de todo o coração", publicou o time no Twitter.

"A única maneira de trazer mudanças é iluminar as injustiças raciais que estão acontecendo à nossa frente. Nossos jogadores fizeram isso e nós continuaremos ao lado deles e exigiremos responsabilidade e mudança", acrescentou o comunicado.

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Bucks decidem boicotar jogo da NBA para protestar por Jacob Blake; outras duas partidas são adiadas

Caso em que outro homem negro foi baleado pela polícia aconteceu em Wisconsin, no último domingo, e gerou onda de protestos; Oklahoma City Thunder e Houston Rockets e Los Angeles Lakers e Portland Trail Blazers também não vão jogar

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2020 | 17h29

Em protesto, o Milwaukee Bucks não entrou em quadra nesta quarta-feira para enfrentar o Orlando Magic pelos playoffs da NBA. O boicote foi uma forma de apoiar os novos protestos antirracistas, reavivados depois que a polícia do estado de Wisconsin atirou sete vezes pelas costas em Jacob Blake, um homem negro, no último domingo.

Os jogadores dos Bucks permaneceram nos vestiários enquanto o rival entrou em quadra para o aquecimento. Pouco antes do horário marcado para o início do jogo, o time do Orlando Magic também se retirou. Na sequência, os árbitros fizeram o mesmo.

Os outros jogos desta quarta-feira pelos playoffs da NBA, entre Oklahoma City Thunder e Houston Rockets e Los Angeles Lakers e Portland Trail Blazers, também não vão acontecer. Todos os jogos 5 dessas séries serão remarcados. Logo após o Milwaukee Bucks decidir pelo boicote, LeBron James, astro dos Lakers, publicou uma mensagem de protesto no Twitter. 

A postura da equipe de Milwaukee antecipou o movimento que começou com os jogadores de Toronto Raptors e Boston Celtics. Eles estavam cogitando não entrar em quadro para o jogo 1 das semifinais da Conferência Leste, agendado para quinta-feira. 

O boicote foi uma maneira encontrada para reforçar o descontentamento pela falta de efeito nos protestos realizados pelos jogadores na 'bolha' da NBA. Deste o retorno da temporada foram realizadas uma série de manifestações em apoia à luta contra discriminação racial, ainda sob o efeito da morte de George Floyd. Jogadores se ajoelham durante o hino nacional, usam camisas com a expressão "Black Lives Matter" (Vidas Negras Importam, em tradução livre) e também estampam em seus uniformes mensagens de justiça social.

No último domingo, em Wisconsin, os policiais respondiam a um distúrbio doméstico. Segundo os advogados de Blake, o homem de 29 anos tentava separar uma briga entre duas mulheres. Ele levou sete tiros pelas costas ao ir até o seu carro. Os seus três filhos estavam no veículo. Está internado em estado estável, mas paralisado da cintura para baixo e só um milagre para voltar a andar, segundo sua família. Toda a cena foi filmada por um morador e as imagem foram espalhadas internacionalmente.

Astros da NBA como LeBron James, do Los Angeles Lakers, e Donovan Mitchell, do Utah Jazz, pediram justiça em suas redes sociais. Os jogadores consideram que a liga não está dando a atenção necessária à pauta antirracista e se sentem presos na bolha em Orlando, impossibilitados de agir. LeBron chegou a dizer que se sente aterrorizado, com medo, como homem negro.

"É traumatizante. Me sinto preso aqui. Viemos para a bolha com objetivo de espalhar uma mensagem e não está acontecendo. A gente sente que não esta fazendo nada de produtivo aqui dentro", afirmou o camaronês Pascal Siakam, uma das estrelas do Toronto Raptors, em entrevista à ESPN americana.

Os jogadores entendem que o boicote é uma maneira de dar visibilidade ao caso e ecoar os protestos antirracistas que novamente estão se espalhando pelos Estados Unidos. "No primeiro incidente que aconteceu há alguns meses, os rapazes puderam estar na linha de frente, ser vistos, estar em suas comunidades e em seus bairros", ressaltou Jayson Tatum, ala dos Celtics. "No momento é difícil porque estamos meio presos entre a decisão de algumas pessoas podem ir para casa, mas entendemos do que estamos renunciando por estarmos aqui. O trabalho que tantas pessoas tiveram para fazer tudo isso possível. Portanto, é uma decisão difícil", reconheceu o jogador.

"Eles (jogadores) estão profundamente desapontados com o fato de a mesma coisa acontecer novamente em um período de tempo relativamente curto", disse o técnico do Raptors, Nick Nurse, referindo-se ao assassinato de George Floyd pela polícia há três meses. "Eles querem ser parte da solução. Eles querem ajudar. Eles querem justiça. Eles querem que esse problema específico seja tratado de uma maneira muito melhor. Essa é a primeira coisa", acrescentou. As declarações foram dadas à ESPN americana.

"O boicote ao jogo surgiu para eles como uma forma de tentar novamente exigir um pouco mais de ação. E acho que é isso que eles realmente querem. Acho que há atenção suficiente e não há ação suficiente, e acho que é isso o que posso sentir nesta discussão", completou o treinador da franquia canadense.

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Trump envia Guarda Nacional a Kenosha por 'anarquia' em protestos antirracismo

'Não vamos tolerar saques, incêndios criminosos, violência e ilegalidade nas ruas americanas', afirmou presidente americano; atirador branco de 17 anos foi preso acusado de matar dois manifestantes

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2020 | 16h49

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira, 26, o envio de reforços policiais e soldados da Guarda Nacional para impedir "saques" e a "anarquia" em Kenosha, Wisconsin.

"Não vamos tolerar saques, incêndios criminosos, violência e ilegalidade nas ruas americanas", disse o presidente no Twitter, em sua primeira reação desde que Blake, um cidadão negro de 29 anos, foi gravemente ferido pela polícia  no domingo.  

Duas pessoas morreram e outra ficou ferida na cidade na terça-feira, 25, terceira noite de protestos após Blake ser baleado sete vezes por um policial branco na frente dos filhos. A família informou na segunda-feira que Blake está paralisado da cintura para baixo.

O procurador-geral de Wisconsin, Josh Kaul, disse que Blake tinha uma faca "em sua posse", escondida no carro, quando foi atingido pelos policiais. A faca foi encontrada no meio dos bancos dianteiros do carro de Blake após os disparos.

Trump relatou que o governador democrata de Wisconsin, Tony Evers, havia aceitado o envio de reforços federais para Kenosha, uma cidade de 170 mil habitantes localizada às margens do Lago Michigan, palco de violentos tumultos nas últimas três noites. 

"Mandarei a polícia federal e a Guarda Nacional a Kenosha para restaurar a lei e a ordem", insistiu o presidente republicano, que fez da segurança um dos principais temas de campanha para sua reeleição em 3 de novembro.

O candidato democrata, Joe Biden, também se manifestou sobre o caso nesta quarta-feira, 26. Em um vídeo publicado no Twitter, o ex-vice-presidente americano afirmou ter conversado com a família de Jacob. "A justiça precisa e será feita", declarou. 

Biden criticou. "Protestar contra a brutalidade é um direito e absolutamente necessário, mas queimar comunidades não é protestar", disse. "Isso é violência desnecessária, violência que coloca vidas em risco e fecha negócios que servem à comunidade".

Atirador é preso por homicídio

A polícia de Antioch, no Illinois, anunciou nesta quarta a prisão por homicídio de um adolescente de 17 anos após as duas mortes registradas em Kenosha, em Wisconsin.

"Esta manhã, as autoridades do condado de Kenosha emitiram um mandado de prisão do indivíduo responsável pelo incidente, acusando-o de homicídio intencional em primeiro grau", (homicídio doloso), disse a polícia.

"O suspeito neste incidente, um residente de Antioch de 17 anos, está atualmente sob a custódia do sistema judicial do condado de Lake, enquanto aguarda uma audiência de extradição para transferir a custódia de Illinois para Wisconsin", acrescentou a fonte. /AFP

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Família de homem negro baleado por policiais nos EUA pede calma

Com a tensão ainda latente após a morte de George Floyd, a cidade de Kenosha, onde Jacob Blake foi baleado, virou cenário de confrontos

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2020 | 01h46

WASHINGTON - A família de Jacob Blake, homem negro baleado por um policial branco no último fim de semana em Wisconsin, nos Estados Unidos, pediu calma nesta terça-feira, 25, após o aumento da revolta no país frente ao novo caso de violência policial contra a comunidade negra, que reacendeu os protestos contra o racismo.

"De verdade, precisamos apenas de orações", disse Julia Jackson sobre o ataque a seu filho Jacob Blake, que levou sete tiros da polícia no último domingo, 23, diante dos três filhos. "Enquanto caminhava por esta cidade, observei muitos estragos. Isto não reflete o meu filho, nem a minha família. Se Jacob soubesse o que está acontecendo, a violência e destruição, teria muito desgosto", afirmou Julia em entrevista coletiva.

Com a tensão ainda latente após a morte de George Floyd, cidadão negro morto por um policial branco, a cidade de Kenosha foi cenário de confrontos pela segunda noite consecutiva. Os protestos começaram após a divulgação, no último domingo, do vídeo que mostra a agressão a Blake. 

Pouco depois da entrada em vigor do toque de recolher estabelecido entre 20h de segunda-feira e 07h de terça-feira, policiais da unidade antidistúrbios usaram gás lacrimogêneo contra os manifestantes. Os policiais responderam aos manifestantes que lançavam garrafas d'água e fogos de artifício em direção aos agentes. Horas antes, centenas de manifestantes gritaram diante dos policiais: "Sem justiça, não há paz!" e "Diga o nome dele, Jacob Blake".

A vítima estava internada, após passar por uma cirurgia no hospital de Milwaukee, a cerca de 40 km. O advogado Benjamin Crump, que também representa a família de George Floyd, informou hoje que "o diagnóstico médico é de que Blake está paralisado".

Vídeos contra a impunidade 

Como ocorreu com George Floyd, afro-americano de 46 anos que morreu asfixiado em 25 de maio quando um policial branco ajoelhou por vários minutos em seu pescoço, a tentativa de detenção de Blake foi filmada por uma testemunha e o vídeo viralizou nas redes sociais.

"O que justifica esses tiros? O que justifica fazer isso na frente dos meus netos?", protestou hoje o pai de Blake, também chamado Jacob, em entrevista ao jornal Chicago Sun Times. "Ele está paralisado da cintura para baixo."

Autoridades afirmaram que os dois policiais envolvidos foram suspensos e uma investigação foi iniciada após os distúrbios de domingo, quando vários veículos foram incendiados e os arredores de um tribunal foram destruídos.

"Se eu matasse alguém, seria condenado e tratado como um assassino. Acho que o mesmo deveria acontecer com a polícia", disse à AFP Sherese Lott, 37, que expressava sua indignação nas ruas de Kenosha, cidade de 170 mil habitantes localizada às margens do lago Michigan.

A polícia de Kenosha rechaçou as críticas e pediu que se aguarde os resultados da investigação feita pelo Departamento de Justiça de Wisconsin.

O presidente americano, Donald Trump, só comentou o caso após o governador do Estado, Tony Evers, solicitar o apoio da Guarda Nacional para controlar os protestos. A Guarda "está pronta, decidida e é mais que capaz. Conserte o problema rapidamente!", disse Trump no Twitter. 

Já o candidato democrata à Casa Branca, Joe Biden, considerou que o racismo representa "uma crise de saúde pública" e exigiu uma investigação a fundo do ocorrido.

Os democratas pediram à Legislatura do estado, controlada pelos republicanos, que discuta o pacote de projetos apresentado no começo do ano visando a uma reforma da polícia./AFP

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'Como negros, estamos com medo nos Estados Unidos', diz LeBron James

'Não posso nem mesmo curtir uma vitória nos playoffs agora. Para ser franco, nossa comunidade está fu****', disse o astro do Los Angeles Lakers

Redação, Estadão Conteúdo

25 de agosto de 2020 | 13h30

O final da rodada de segunda-feira dos playoffs da NBA, que estão sendo disputados dentro da "bolha" criada no complexo Wide World of Sports, pertencente à Disney, em Orlando, não foi marcado somente pelo que foi apresentado nas quadras. Astros da NBA como LeBron James, do Los Angeles Lakers, e Donovan Mitchell, do Utah Jazz, usaram suas redes sociais para pedir justiça depois que a polícia do estado de Wisconsin atirou sete vezes pelas costas em Jacon Blake, um homem negro, em um ataque no último domingo que reavivou os protestos contra o racismo nos Estados Unidos.

"Não posso nem mesmo curtir uma vitória nos playoffs agora. Para ser franco, nossa comunidade está fu****. Eu sei que as pessoas se cansam de me ouvir dizer isso, mas nós estamos com medo como negros nos Estados Unidos. Homens negros, mulheres negras, crianças negras, estamos aterrorizados", disse LeBron logo após a vitória dos Lakers sobre o Portland Trail Blazers, que fez com que o seu time abrisse 3 a 1 na série da primeira rodada dos playoffs da Conferência Oeste.

"E perguntam por que dizemos o que dizemos sobre a polícia!", tuitou LeBron James, em uma publicação em que compartilha o vídeo do ataque a Blake. "Alguém, por favor, me diga o que diabos é isto?! Exatamente outro homem negro sendo um alvo (...) Sinto tanta pena por ele, por sua família e pela nossa gente!! Queremos JUSTIÇA!", clamou o astro da NBA.

As imagens de Blake sendo baleado por policiais ganharam as manchetes internacionais. Os policiais respondiam a um distúrbio doméstico. Segundo os advogados de Blake, o homem de 29 anos tentava separar uma briga entre duas mulheres. Ele foi conduzido pelos policiais até a porta de seu carro, onde levou sete tiros na frente de seus três filhos, que estavam no veículo. Está internado em estado estável segundo sua família.

"Vão à m... as partidas e os playoffs!! Isso é doentio e um problema real. Pedimos justiça!", exigiu Donovan Mitchell, em seu Twitter. "É uma loucura e não tenho palavras. É por isso que não nos sentimos seguros", criticou o jogador, mais um a manter seu protesto pela igualdade racial com vários gestos, como exigindo a prisão dos responsáveis por casos de violência policial.

O movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) ganhou força na NBA depois da morte de George Floyd, homem negro assassinado por um policial em maio no estado de Minnesota. George Hill, do Milwaukee Bucks, fez coro a Mitchell.

"Nós nem deveríamos ter vindo a este maldito lugar, para ser honesto. Acho que vir apenas aqui tirou todos os pontos focais de quais são os problemas. Mas nós estamos aqui, então é o que é. Não podemos fazer nada daqui, mas acho que definitivamente, quando estiver tudo resolvido, algumas coisas terão que ser feitas", disse.

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Após protesto antirracismo, LeBron James abre 'guerra' contra Donald Trump

Astro da NBA se irrita com o político e pede para que as pessoas votem na eleição americana

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2020 | 14h29

O novo caso de brutalidade da polícia norte-americana contra um homem negro e a nota da NBA que anunciou o adiamento dos quatro jogos previstos para a rodada dos playoffs de quarta-feira fizeram o astro LeBron James perder a paciência e abrir "guerra" contra o presidente Donald Trump.

O astro do Los Angeles Lakers escreveu uma nota nas redes sociais na qual pede menos palavras e mais "ação", além de convocar as pessoas para que votem nas eleições presidenciais de 3 de novembro - voto nos EUA é opcional - em busca de "mudança", claramente se posicionando contra o atual comandante do país.

"Mudança não acontece apenas com palavras. Acontece com ação e precisa acontecer agora. Crianças e comunidades em todo o país, cabe aos Estados Unidos fazerem a diferença. Juntos. É por isso que o seu voto é mais do que um voto", disse o maior nome do basquete na atualidade.

Na quarta-feira à noite, LeBron se irritou quando a NBA publicou uma nota, considerando adiados os quatro jogos não disputados à noite entre Milwaukee Bucks x Orlando Magic, Houston Rockets x Oklahoma City Thunder e Los Angeles Lakers x Portland Trail Blazers.

Esta não é a primeira vez que LeBron emite críticas ao presidente Trump. Na semana passada, por exemplo, o jogador foi para o primeiro jogo dos Lakers pelos playoffs vestindo um boné que fazia paródia com o slogan da última campanha do presidente. Usado com frequência por Trump, o boné tinha a frase "Make America Great Again" (Faça a América Grande Novamente), mas com parte do slogan riscado e um complemento, formando a frase "Faça a América prender os policiais que mataram Breonna Taylor".

A gota d'água que causou toda a revolta de LeBron, que chegou a dizer que vivia aterrorizado em seu país por ser negro, foi violência sofrida pelo negro Jacob Blake, que foi atingido por sete tiros pelas costas, na cidade de Kenosha, no estado de Wisconsin, nos Estados Unidos, por policiais brancos.

 

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