Jim Bourg/Reuters
Jim Bourg/Reuters

Caso Jacob Blake: FBI vai investigar violação de direitos civis da polícia de Kenosha

Esta é a segunda investigação federal aberta pelo Departamento de Justiça para apurar um caso envolvendo um policial branco e um homem negro

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2020 | 13h34

O Departamento de Justiça dos EUA anunciou nesta quarta-feira, 27, que vai abrir uma investigação federal sobre violação de direitos civis pelo policial Rusten Sheskey, identificado como o responsável por disparar sete vezes contra Jacob Blake na cidade de Kenosha, em Wisconsin. Em um comunicado, o departamento confirmou que o FBI vai conduzir o inquérito em cooperação com as autoridades do Estado.

"A investigação federal ocorrerá paralelamente e compartilhará informações com as autoridades estaduais na medida do permitido por lei", disse o departamento em seu comunicado.

Esta é a segunda investigação desse tipo que o Departamento de Justiça faz envolvendo um policial branco e um homem negro. Em maio, o departamento abriu um inquérito sobre Derek Chauvin, um policial de Minneapolis que foi filmado ajoelhado no pescoço de George Floyd durante uma abordagem. Floyd morreu pouco tempo depois, e o assassinato desencadeou uma série de protestos no país sobre o tratamento dado aos negros pela polícia e sobre injustiça racial.

Quando a investigação sobre a conduta de Chauvin foi anunciada, o procurador-geral William Barr disse que ela prosseguiria rapidamente. No entanto, uma porta-voz do departamento disse na quarta-feira, 26, que não tinha nenhuma atualização a fornecer sobre o caso.

Defensores dos direitos civis, e até mesmo alguns advogados da Divisão de Direitos Civis do Departamento de Justiça, duvidam que o departamento anuncie uma decisão ou tome medidas em qualquer dos casos antes da eleição presidencial, especialmente considerando que o presidente Trump construiu sua campanha de reeleição em parte em torno de seu firme apoio aos policiais.

As acusações criminais em ambos os casos podem distanciar os apoiadores de Trump, e as decisões de não processar podem inflamar ainda mais os protestos que têm varrido o país desde maio.

Barr e outros funcionários do governo insistem que o racismo sistêmico não existe nas forças policiais do país, e o Departamento de Justiça de Trump parou de usar decretos de consentimento e outros meios para investigar, monitorar e coibir abusos policiais.

Os apoiadores de Barr dizem que ele já teve sucesso em casos contra policiais no passado. Quando ele era procurador-geral do presidente George Bush, o Departamento de Justiça acusou quatro oficiais brancos de Los Angeles que espancaram Rodney King, um motorista negro, de violar os direitos civis depois que o caso estadual contra eles terminou em absolvições. Dois dos policiais foram condenados na esfera federal.

O anúncio sobre o envolvimento do Departamento de Justiça veio na quarta noite de protestos, quando centenas de manifestantes marcharam pacificamente por Kenosha.

Muitas janelas de empresas foram fechadas com tábuas depois que a violência eclodiu nas noites anteriores, e a polícia fez uma busca rápida em um caminhão que parecia transportar comida e água para os manifestantes, mas não houve relatos de confrontos.

Os manifestantes se reuniram mais uma vez perto do Tribunal do Condado de Kenosha, enquanto alguns bloquearam temporariamente um cruzamento próximo. Eles continuaram a marchar pelos bairros depois da meia-noite e mantiveram um momento de silêncio perto do local do tiroteio./ The New York Times

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