David Moir / Reuters
David Moir / Reuters

Caso Madeleine McCann: Investigadores alemães dizem ter provas da morte da menina britânica

Autoridades alemãs anunciaram que provas colhidas indicam que a menina esteja morta

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2020 | 11h43

As autoridades alemãs disseram nesta quarta-feira, 17, ter “provas” de que a menina britânica Madeleine McCann, desaparecida em Portugal em 2007, está morta. 

"São provas concretas, fatos que estão em nossas mãos, não simples indicações", afirmou o procurador da cidade de Brunswick, Hans Christian Wolters, à AFP. O procurador não deu detalhes, mas ressaltou que apesar das evidências contundentes, não há "prova pericial".

Na terça-feira, 16, os promotores na Alemanha escreveram para os pais de Madeleine McCann, Kate e Gerry, para dizer que menina está morta. A mensagem deixa claro que eles têm “evidências concretas” de que o suspeito Christian B a matou, mas ainda não podem revelar detalhes.

Segundo o jornal inglês The Sun, os promotores acreditam que revelar as evidências muito cedo pode prejudicar as chances do alemão, de 43 anos, vir a julgamento.

O promotor Hans Christian Wolters disse que os McCann não receberam todos os detalhes, mas conhecem todos os resultados já obtidos na investigação. “Escrevemos aos McCann para dizer que Madeleine está morta e explicando que simplesmente não podemos dizer qual é a evidência. Temos evidências concretas de que nosso suspeito matou Madeleine”, disse Wolters à AFP.

“A polícia britânica foi informada dos detalhes, mas não possui todas as evidências que temos. Os resultados de nossa investigação foram compartilhados, mas nem todos os detalhes foram passados para a Scotland Yard. Não acho que os McCann tenham sido informados de todos os detalhes, mas conhecem os resultados”, afirmou o promotor.

O advogado português dos McCann, Rogerio Alves, pediu à polícia alemã que compartilhe as evidências que afirmam ter sobre sua morte. No entanto, o promotor voltou a afirmar que isso vai atrapalhar a investigação. “Entendo o que o advogado da família McCann está dizendo. Simpatizo com os pais, mas se revelarmos mais detalhes, isso pode comprometer a investigação”, disse o promotor.

“Eu sei que seria um alívio para os pais saber como ela morreu. Este é um caso de assassinato e não de pessoas desaparecidas. Fomos bastante claros ao longo do tempo que estamos investigando um assassinato e temos provas disso”, afirmou.

Wolters deixou claro que o melhor é ter”uma conclusão clara e bem-sucedida do caso”. Segundo o promotor alemão, não há esperança realista de que ela esteja viva.

“É claro que eu entendo que os pais querem acreditar que ela está viva até ver um corpo. Seria mais fácil para eles se eu pudesse contar o que sabemos, mas não posso. Tudo o que posso dizer é que não há evidências forenses, mas há outras que indicam que ela está morta. Não quero entrar em detalhes sobre a carta, quando foi escrita ou como foi enviada. Tudo o que vou confirmar é que ela foi escrita”, disse.

Madeleine tinha três anos quando foi sequestrada no apartamento de férias de seus pais no resort português da Praia da Luz, no Algarve, no dia 3 de maio de 2007.  No início deste mês, a polícia alemã disse que um homem chamado Christian B, 43 anos, era suspeito do desaparecimento e acredita-se que Madeleine está morta.

O suspeito foi rapidamente identificado como estuprador, traficante de drogas e criminoso sexual infantil, atualmente preso na Alemanha. 

Teste de saliva

Investigadores alemães querem testar novamente uma amostra de saliva encontrada no apartamento de onde Madeleine McCann desapareceu. Os testes forenses portugueses não encontraram DNA compatível com o novo suspeito, o  alemão Christian B. Acredita-se que a amostra seja apenas um traço e, nos 13 anos desde que foi coletada, foi impossível extrair qualquer perfil de DNA dela.

As autoridades alemãs acreditam que seus cientistas podem realizar seus próprios testes porque consideram a amostra potencialmente vital e esperam que ela possa ser comparada ao suspeito.

Jornais portugueses disseram ser improvável que a polícia portuguesa envie a amostra, em parte por causa das recentes críticas de Hans Christian Wolters, o promotor responsável pelo caso, à polícia de Portugal.

Ele disse na semana passada que a polícia portuguesa ainda acreditava que os pais de Madeleine eram responsáveis pelo desaparecimento de sua filha do apartamento na Praia da Luz em 2007./ AFP e REUTERS

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