Caso NSA não motivou decisão, dizem analistas

Apesar da coincidência do momento, tanto Michael O'Hanlon, especialista em Oriente Médio do Brookings Institution, quanto Lawrence Korb, do Center for American Progress, discordam da avaliação de que a Casa Branca anunciou a ajuda militar aos rebeldes sírios como meio de afastar a atenção da opinião pública americana das revelações sobre um dos maiores problemas internos de seu governo.

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2013 | 02h06

O maior envolvimento dos EUA no conflito sírio foi anunciado poucos dias depois da descoberta, pela imprensa, de que a Agência de Segurança Nacional (NSA) mantêm um vasto esquema de vigilância de e-mails, redes sociais e chamadas telefônicas - o programa Prism -, sob a alegação de combater o terrorismo. "Na verdade, os acontecimentos na Síria já causaram mais problemas para Obama do que os que ele pode resolver", disse O'Hanlon.

"Foi o Hezbollah no caminho (o que causou o anúncio sobre a Síria)", insistiu Korb. Com o Hezbollah, o Irã estará presente de forma mais incisiva no conflito sírio, instigando o ódio entre xiitas e sunitas e influenciando o balanço de poder regional. Teerã já tem suprido as forças de Assad com armas e munições. Os EUA, dificilmente, ficarão sozinho nesse combate, amparado pelos seus aliados tradicionais no Oriente Médio.

Para Korb, a adoção da zona de exclusão aérea trará mais riscos do que benefícios. A Líbia, explicou, não tinha o sofisticado sistema de defesa aéreo da Síria. Lá, as tropas aliadas avançaram por terra contra as forças de Muamar Kadafi.

Os EUA, naquele caso, enviaram equipamentos militares, mas não soldados. A Rússia e a China, por sua vez, aprovaram a opção militar para a Líbia na ONU, mas resistem em fazer o mesmo na Síria. / D.C.M.

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