AP Photo/Eraldo Peres
AP Photo/Eraldo Peres

Caso Odebrecht amplia tensão na Venezuela

Opositor diz que foi convocado pela Procuradoria para depor sobre recursos de seu governo; ele temia ser vinculado a propinas pagas por empreiteira no país

O Estado de S. Paulo

12 Janeiro 2017 | 05h00

CARACAS - O líder opositor venezuelano Henrique Capriles esclareceu na noite desta quarta-feira que foi convocado pela Procuradoria-Geral do país para depor hoje por casos relacionados com o uso de recursos de seu governo no Estado de Miranda e não com o escândalo da construtora brasileira Odebrecht, como ele disse à tarde.

Segundo o governador, os casos são por pagamento antecipado de serviços funerários, um contrato para mensagens institucionais na TV e convênios de cooperação internacional com Polônia e Grã-Bretanha.

Capriles temia ser acusado de ter vínculos com propinas pagas pela empreiteira. O acordo da empresa com o Departamento de Justiça dos EUA revelou que quase US$ 800 milhões foram pagos em subornos na Venezuela. Capriles convocou ontem uma entrevista coletiva para se defender previamente e afirmar que a convocação fazia parte de uma perseguição política conduzida pelo presidente Nicolás Maduro. Segundo ele, a Procuradoria abriu seis processos administrativos que buscam inabilitá-lo politicamente, algo que deixaria a oposição sem uma de suas principais figuras em uma eventual eleição.

O opositor, do partido Primero Justicia, afirmou que as obras da Linha 1 do metrô Los Teques – uma das executadas pela empreiteira no Estado que ele governa – foram contratadas no período anterior a sua eleição, quando Miranda era governado pelo chavista Diosdado Cabello. Além disso, o governo nacional seria, segundo Capriles, o maior responsável pela condução do contrato.

A participação na audiência de hoje foi condicionada por Capriles à exigência de que fosse aberta ao público e à transmissão pela imprensa. “Se o país não vai ver como fazem, não vou fazer parte de um circo”, afirmou o governador.

A Procuradoria não deu maiores detalhes sobre quais seriam os “supostos vínculos” entre Capriles e a empreiteira. Segundo o opositor, o órgão atua com parcialidade a favor do Executivo chavista e tem a pretensão de criar base para sua inabilitação política.

“Em nosso país, utilizam as leis como se fossem papel higiênico. Papel higiênico que, aliás, está em falta”, ironizou, referindo-se à grave escassez de produtos básicos, alimentos e medicamentos pela qual o país atravessa.

O governo estadual de Miranda foi citado em uma reportagem do Wall Street Journal a respeito dos contratos obtidos pela empreiteira brasileira utilizando pagamento de propina para facilitação.

A Odebrecht afirmou que não se manifesta sobre o tema, mas mantém seu compromisso de colaborar com a Justiça. “A empresa está adotando as melhores práticas de compliance, com base na ética, transparência e integridade.” / EFE, COM FELIPE CORAZZA 

Mais conteúdo sobre:
Venezuela

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.