EFE/MARTIN ALIPAZ
EFE/MARTIN ALIPAZ

Caso Odebrecht atinge a opositora peruana Keiko Fujimori

Imprensa local diz que Brasil enviará ao Peru anotações encontradas na agenda de Marcelo Odebrecht sobre pagamentos à campanha de Keiko, que nega as acusações

O Estado de S.Paulo

11 Agosto 2017 | 18h37

LIMA - As delações da Odebrecht continuam atingindo o Peru e desta vez chegaram à líder da oposição Keiko Fujimori, depois de ter envolvido ex-presidentes como Alejandro Toledo e Ollanta Humala. Uma anotação foi encontrada na agenda do celular de Marcelo Odebrecht, ex-diretor-executivo da empreiteira, preso no Brasil após admitir o pagamento de milionários subornos em troca de obras públicas no Brasil e outros países da América Latina, além do financiamento de campanhas políticas. "Aumentar Keiko para 500 e eu fazer visita", diz a nota que a Procuradoria peruana informou que será enviada pelo Brasil a Lima nos próximos dias.

Segundo a imprensa, essa seria uma referência à campanha eleitoral de 2011, que a filha do ex-presidente Alberto Fujimori perdeu para Ollanta Humala. "O procurador brasileiro Orlando Martello, encarregado da equipe especial do caso Lava Jato, nos confirmou, por meio de uma videoconferência, a existência dessa anotação que foi apreendida do celular de Marcelo Odebrecht quando ele foi preso", disse ao jornal Perú 21 o procurador superior Alonso Peña.

Peña esteve em Curitiba em maio deste ano junto com um grupo de procuradores que interrogou Marcelo Odebrecht para saber mais sobre os casos peruanos que aparecem na "Lava Jato". As leis brasileiras impediram que os procuradores peruanos fizessem perguntas sobre novos casos.  

Na ocasião, segundo revelou o portal IDL Reporteros, o ex-diretor-executivo da construtora brasileira admitiu que sua companhia financiou as campanhas dos políticos com mais destaque, como a de Keiko Fujimori, mas que não lembrava os valores exatos. O ex-representante da Odebrecht no Peru, Jorge Barata, sabia de mais detalhes. 

"A Odebrecht se envolveu nas campanhas eleitorais, apostando em todos os partidos que tinham a possibilidade de ganhar", disse à AFP o sociólogo Fernando Tuesta, professor na Universidade Católica do Peru. "A coisa ficará feia no Peru se todos estiverem envolvidos. O dinheiro para campanhas é para que os negócios fluam, por isso não estranho que tenha acontecido com o Fuerza Popular, que é o principal partido dos últimos 10 anos", avalia Tuesta. 

Defesa

Keiko negou as acusações. Ela afirmou no Twitter que as acusações fazem parte de uma campanha de desprestígio e diz não conhecer Marcelo Odebrecht. "Com o pedido de informação da Procuradoria ao Brasil se confirmará que nunca recebemos dinheiro da Odebrecht", escreveu na quinta-feira 10 Keiko, duas vezes candidata, e cujo partido atualmente tem maioria no Congresso.

Seu pai, Alberto Fujimori, cumpre condenação por crimes de corrupção e contra os direitos humanos.

A Odebrecht admite que realizou no Peru pagamentos ilícitos de US$ 29 milhões entre 2005 e 2014, durante os governos de Alejandro Toledo, Alan García e Ollanta Humala.

Toledo, que o Peru tenta extraditar dos Estados Unidos, nega a acusação de ter recebido US$ 20 milhões para favorecer a Odebrecht com a construção de uma rodovia que une o Peru e o Brasil. Nessa época, o atual presidente, Pedro Pablo Kuczynski, era seu primeiro-ministro.

Humala e sua mulher estão em prisão preventiva acusados de lavagem de dinheiro e ter recebido US$ 3 milhões da Odebrecht para sua campanha presidencial de 2011. Eles negam.

Em Curitiba, segundo o IDL Reporteros, a Odebrecht admitiu ter pago suborno a Humala a pedido do PT. Para evitar represálias com a favorita na época, Keiko Fujimori, sugeriu a seu representante no Peru que fosse dada a ela uma quantia maior. Daí viria essa anotação que poderá lhe complicar caso seja verdadeira. 

Do governo de García há ex-funcionários presos por receber subornos em troca de ganhar a concessão para uma linha de metrô. As siglas "AG" encontradas em várias ocasiões na agenda da Odebrecht, levaram a imprensa a especular que poderia se tratar do ex-presidente Alan García. "Humala, Toledo e outros se venderam, eu não", garantiu García no Twitter. /AFP

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