Martin Mejia/AP
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Caso Odebrecht pode custar até 0,5% do PIB peruano, diz presidente

Pedro Paulo Kuczynski afirmou que obras desenvolvidas pela empreiteira brasileira serão vendidas ou licitadas novamente

O Estado de S.Paulo

10 de março de 2017 | 02h20

LIMA - O presidente do Peru, Pedro Paulo Kuczynski, admitiu nesta quinta-feira, 9, que a economia nacional deve sofrer grande impacto devido à paralisação de projetos da construtora Odebrecht no país. Ele afirmou ainda que as obras serão vendidas ou licitadas novamente.

"Não há dúvida que (o caso Odebrecht) impõe um freio na economia", afirmou, em entrevista à imprensa estrangeira no Palácio do Governo. "Estamos tratando de implementar uma luta drástica anticorrupção, tentando não parar os grandes projetos, mas é muito difícil fazê-lo porque a maior de todas as obras parou. Pode nos custar até 0,5% do PIB, ou algo assim, mas não posso me aventurar."

Kuczynski comentou ainda que se prepara uma nova concessão do gasoduto do sul do Peru, obra avaliada em US$ 7 bilhões e cuja concessão foi retirada de um consórcio liderado pela Odebrecht, devido à incapacidade financeira.

Ele disse ainda que há outras empresas interessadas em parte do projeto de irrigação Chavimochic, também até agora liderado pela firma brasileira.

Além do mais, está pendente a venda da centra hidrelétrica Chaglla, avaliada em US$ 1,4 bilhão.

A Odebrecht prepara uma saída ordenadas de seus projetos públicos no Peru, devido a uma lei impede que empresas que estão vinculadas com corrupção continuem contratando com o Estado. "A única coisa que queremos é reservar uma parte destes recursos (das vendas da Odebrecht) no caso de que no final haja uma multa ou recompensa para o Estado", disse.

Em meio à tentativa de recuperar a economia, o governo peruano anunciou nesta quinta-feira um plano de injetar US$ 1,6 bilhão para infraestrutura.

A Odebrecht, que reconheceu o pagamento de subornos milionários a políticos e funcionários em troca de licitação de obras, desembolsou no Peru US$ 29 milhões em propinas entre 2005 e 2014.

O caso coloca sob investigação os governos de Alejandro Toledo, que está foragido da Justiça, Alan García e Ollanta Humala. / AFP

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