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Caso Snowden ‘contamina’ visita de Kerry a Brasília

Governos querem centrar atenções na ‘agenda positiva’, mas secretário de Estado terá de encarar escândalo de espionagem

Lisandra Paraguassu, O Estado de S. Paulo

12 Agosto 2013 | 22h53

BRASÍLIA - Apesar da tentativa do governo brasileiro de tratar de uma agenda positiva com o secretário de Estado americano, John Kerry, a visita do chanceler nesta terça-feira a Brasília será marcada pela desconfiança causada pela espionagem ao Brasil revelada pelo ex-agente da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) Edward Snowden.

O encontro entre Kerry e o chanceler Antonio Patriota – o segundo desde a posse do americano – se concentrará na visita da presidente Dilma Rousseff a Washington, em outubro. Em seguida, o americano se reunirá com Dilma no Palácio do Planalto, às 16h30.

Kerry não conseguirá fugir de respostas sobre a espionagem americana – ou “bisbilhotice”, como chama a presidente. De acordo com o Itamaraty, as conversas com o governo americano continuam e a missão que deverá visitar Washington para tratar da espionagem está sendo preparada, mas o governo brasileiro ainda não se deu por satisfeito.

A preparação da visita envolveu uma enorme resistência dos americanos em deixar o secretário de Estado ter contato com jornalistas e com a população. Há o temor de que novas manifestações surjam, tendo Kerry como alvo, causadas pelo escândalo de espionagem envolvendo o Brasil.

Normalmente aberta à imprensa – até mesmo o presidente Barack Obama queria responder a perguntas em sua visita, em 2011 –, desta vez a equipe americana queria que o contato fosse restrito a uma declaração. O formato, porém, foi vetado pelo Itamaraty, que manteve as perguntas aos dois ministros.

Até agora, os temas bilaterais que serão tratados por Patriota e Kerry se restringem à cooperação em áreas já consideradas maduras e podem avançar para acordos na visita de Estado de Dilma. Entre eles, a energia, incluindo a exploração do gás de xisto, que interessa diretamente ao Brasil e é hoje já uma das principais fontes de energia nos EUA.

As conversas também devem avançar em inovação – um seminário ocorre em setembro, no Rio de Janeiro, entre os dois países. Temas mais sensíveis devem ficar de fora dessa visita do secretário de Estado, incluindo a negociação sobre o uso da base de Alcântara, no Maranhão, pelos americanos.

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