Uriel Sinai/The New York Times
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Casos contra Netanyahu serão decisivos nas eleições israelenses

Decisão final sobre o indiciamento de premiê só sairá depois da votação

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2019 | 03h00

Para quem se acostumou à Operação Lava Jato, os três casos do procurador-geral, Avichai Mandelblit, contra o premiê israelense, Bibi Netanyahu, deixarão a desejar. O primeiro trata de brindes triviais, como a champanhe cor de rosa preferida da primeira-dama. Os dois outros envolvem ofertas a empresários – em troca de cobertura favorável em veículos jornalísticos – que saem tão comprometidos quanto Bibi.

No atual contexto, o imbróglio se tornou o fator crucial na eleição marcada para 9 de abril. A decisão final sobre o indiciamento de Bibi só sairá depois da votação. Advogados ainda podem dissuadir o cauteloso Mandelblit, que levou mais de dois anos na investigação e optou, em vez de “suborno”, pela acusação menor: “quebra de confiança”.

Mas a possibilidade de que Bibi possa ter de responder a um processo no cargo levanta dúvidas jurídicas – é inédita em Israel – e alimenta a reticência do eleitorado. Dos eleitores do Likud, 28% afirmam que não votariam no partido em caso de indiciamento. Tais votos migrariam para a aliança de centro-direita, entre Benny Gantz e Yair Lapid.

Outro complicador para Bibi é o alcance da investigação. Mandelblit levantou evidência da troca de favores com os empresários Arnon Mozes e Shaul Elovitch. Mas nem encostou na relação com o bilionário americano Sheldon Adelson, que investiu mais de US$ 100 milhões só na criação de um jornal para apoiá-lo, o Yisrael Hayom.

EUA

Previsão dá vantagem a Trump na largada eleitoral

A quase dois anos das eleições de 2020 nos Estados Unidos, o Sabato’s Crystal Ball, da Universidade da Virgínia, lançou sua primeira previsão. No colégio eleitoral, Donald Trump sairia na frente com 248 votos prováveis, ante 244 dos democratas e 46 indefinidos. Dos 538, 70% votam exatamente da mesma forma desde 2000: 195 dos Estados sempre democratas, 179 sempre republicanos.

Internet

YouTube combate pedofilia por pressão de anunciantes

O YouTube jamais conseguiu barrar com eficácia o conteúdo pirata, nem impedir que terroristas, antissemitas ou extremistas publiquem vídeos de propaganda. Anunciantes como Disney, Nestlé e AT&T abandonaram o site depois que a Wired denunciou como pedófilos o têm usado para aliciar menores. O YouTube reagiu suspendendo comentários e aperfeiçoando a detecção de conteúdo predatório. Funcionará desta vez?

Controle

Twitter bane mais conservadores que esquerdistas

O Twitter trata conservadores e direitistas com mais rigor, diz Richard Hanania, da Universidade Columbia. Ele levantou a suspensão de contas vinculadas a indivíduos conhecidos ou partidos, num total de 43 casos desde 2015. Dos 22 que manifestaram preferência nas eleições de 2016, 21 apoiaram Donald Trump. Estatisticamente, seria necessário que a violação dos termos do Twitter fosse quatro vezes mais provável entre direitistas para afirmar que não há diferença de tratamento.

Liberdade

Facebook quer “Suprema Corte” para regular discurso

O Facebook planeja criar uma espécie de Suprema Corte, composta por juristas e convidados externos, para decidir que tipo de conteúdo bloquear, revelou a Vanity Fair. A ideia foi autorizada por Mark Zuckerberg em novembro. Ninguém sabe como funcionará, nem como poucas dezenas de pessoas disciplinariam o discurso de 2,3 bilhões.

Saúde

Pesquisa vê associação entre populismo e vacinas

O populismo está associado à descrença na eficácia das vacinas na Europa, afirma um novo estudo no European Journal of Public Health. “A hesitação diante das vacinas e o populismo político são impulsionados por uma dinâmica similar: uma profunda desconfiança em elites e especialistas”, escreve o autor, Jonathan Kennedy, da Universidade Queen Mary, de Londres.

Restrições

Traje de corrida para muçulmanas é banido na França

A Decathlon retirou das prateleiras na França um traje de corrida para muçulmanas com cobertura para a cabeça. O uso do véu é proibido nas escolas francesas desde 2004. Em 2010, foi proibida a burca. Em 2016, o “burquini” provocou protestos em praias da Riviera. No mesmo ano, a esgrimista americana Ibtihaj Muhammad ganhou o bronze na Olimpíada do Rio com a cabeça envolta num hijab.

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