Melina Mara / W.P.
Melina Mara / W.P.

Coronavírus avança em 21 estados americanos e ameaça retomada

Alabama foi o Estado com maior aumento de casos, com 92%, enquanto o Arkansas registrou 120,7% mais internações

Beatriz Bulla / Correspondente, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2020 | 11h00
Atualizado 16 de junho de 2020 | 13h05

WASHINGTON - O clima de retomada que teve início no final de abril em algumas partes dos Estados Unidos e aos poucos chegou a todo o país está novamente ameaçado. Ao menos 21 Estados registraram aumento sustentado de novos casos de coronavírusnos últimos sete dias, colocando em risco a sensação de que o pior já passou nos EUA, país com mais de 116 mil mortos por covid-19. Alguns Estados, como Arizona, Flórida e Texas, tiveram o maior número de infectados confirmados em um só dia desde o início da epidemia no país, em março.

Com o declínio nacional de casos e o controle da situação no Estado de Nova York, o mais afetado, os Estados americanos passaram a reabrir gradualmente comércio, restaurantes e retomar serviços desde o final de abril, incentivados pelo presidente Donald Trump. A retomada em fases já tem permitido uma vida com menos restrições.

Em muitos lugares, é possível ir a restaurantes, com limite no número de pessoas nas mesas, máscaras e distanciamento entre uma mesa e outra. O encontro em locais ao ar livre, limitado a pequenos grupos, também passou a ser permitido. 

O argumento de que há mais testes sendo feitos, no entanto, não é suficiente para explicar a alta registrada em 2/5 dos Estados americanos, pois a porcentagem de testes positivos em relação aos realizados também têm crescido na maior parte destes locais, assim como o número de hospitalizações.

O Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME), centro da da Universidade de Washington que produz o modelo estatístico que embasa as políticas de saúde da Casa Branca, revisou as projeções feitas para os EUA. A estimativa atual é de que o país registre 201.129 mortes até outubro. Se o estudo estiver correto, os EUA ainda terão mais 85 mil mortes por covid-19 nos próximos três meses e meio. O modelo do IHME é considerado conservador pela maior parte dos especialistas no país.

Os casos atuais ainda são considerados como parte da primeira onda de contágio e tem atingido locais que não foram tão afetados em abril. A suposta segunda onda de infecções é prevista para começar entre agosto e setembro, com a volta às aulas e a flexibilização das medidas de segurança adotadas pela população.

O tema não entrou no radar da Casa Branca, que já não conduz mais as coletivas de imprensa diárias para informar sobre a situação da pandemia no País. Trump prometeu fazer comício eleitoral no Arizona, Texas e Flórida nas próximas semanas, mesmo ciente de que em Houston (Texas), a situação atual é definida por autoridades locais como próxima a um desastre . Apesar das orientações para que aglomerações sejam evitadas assim como viagens não essenciais, a campanha de Trump irá retomar a agenda de campanha. No sábado, ele fará o primeiro evento, em Tulsa, Oklahoma - um dos locais que está com alta no número de casos. 

As maiores altas nos novos casos na última semana, segundo análise do jornal Washington Post, foram registradas nos Estados do Alabama (92%), Oregon (83,8%)e Carolina do Sul (60,3%). No Arkansas, as internações cresceram 120,7% desde o feriado do Memorial Day, no final de maio, considerado um marco da reaceleração do contágio no país. No feriado, já com boa parte dos Estados em processo de reabertura, americanos lotaram praias e parques. 

Ainda não se sabe, no entanto, se o surgimento de novos casos nos Estados vai gerar a superlotação dos hospitais e colapsar os sistemas de saúde locais. É esse o risco que governadores e prefeitos tentam gerenciar conforme o vírus cresce, com base nas informações de leitos disponíveis e de novos infectados. Até agora, governadores de Oregon e Utah decidiram paralisar a reabertura. 

Em Nova York, cenas de aglomerações em frente a bares e restaurantes no final de semana fizeram com que o governador, Andrew Cuomo, ameaçasse nesta segunda-feira paralisar o processo de retomada. "Temos 22 Estados onde o vírus está crescendo. Não queremos a mesma situação", afirmou. Segundo ele, há uma possibilidade "bastante real" de voltar atrás no processo de abertura em algumas áreas se confirmar que as pessoas não estão seguindo as diretrizes determinadas.

O Estado de Nova York foi a que mais sofreu com o pico de infecções na primeira onda de contágio americana, chegando ao patamar de 800 mortes diárias. Todos os sinais até agora são de que a cidade conseguiu achatar a curva de nova infecções. Há 1,6 mil pessoas hospitalizadas com covid-19 em todo o Estado atualmente, o menor número desde 20 de março, e muito distante do pior momento, quando mais de 18 mil estavam nos hospitais.

A cidade de Nova York, que teve mais de 20 mil mortos pela covid-19 até agora, foi a última a começar um processo de reabertura. A primeira fase da retomada das atividades ainda é bastante restritiva e teve início no dia 8 de junho. 

Na Geórgia, Estado que se tornou símbolo de uma reabertura feita em desacordo com a sugestão de especialistas, a situação não têm melhorado, mas também não cresceu rumo a um surto. Especialistas se concentram em entender o que têm feito algumas cidades passarem por surtos enquanto outras conseguem ter uma situação controlada. Questões como demografia, desigualdades e comportamento individual - quando as pessoas mantêm isolamento, mesmo com a rebaertura - são apontados como possíveis razões. No caso específico da Geórgia, os analistas não descartam que os casos estejam subnotificados.

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