REUTERS/Leah Millis
REUTERS/Leah Millis

Casos de coronavírus disparam em cidade que teve comício de Trump

Tulsa, no sul de Oklahoma, tem mais casos do que qualquer outro condado no estado; casos mais que dobraram nas últimas semanas

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2020 | 14h32

O número de casos de covid-19 em Tulsa, no sul de Oklahoma, aumentou mais do que o normal duas semanas depois que o presidente Donald Trump realizou um comício eleitoral na cidade, informou na quarta-feira, 8, a autoridade de saúde local. 

Depois de o número de diagnósticos positivos diminuir 20% entre 28 de junho e 4 de julho, o Departamento de Saúde de Tulsa registrou mais de 200 novos casos diariamente desde segunda-feira, chegando a 266 na quarta.  

Bruce Dart, diretor do Departamento de Saúde local, disse em entrevista coletiva que era razoável vincular o aumento ao comício. "Nos últimos dois dias, tivemos quase 500 casos e tivemos vários grandes eventos há pouco mais de duas semanas", disse Dart. "Então, acho que estamos apenas conectando os pontos." 

Dart informou que o condado tem mais infecções do que qualquer outro em Oklahoma e relatou que eventos nas últimas semanas "contribuíram para isso".  Dias antes do comício, Dart pediu ao presidente que cancelasse chamando-o de "uma tempestade perfeita para a transmissão de doenças".

Quando disse isso, o condado de Tulsa havia acabado de registrar 89 casos novos em um dia - um recorde na época. Nesta semana, os totais diários foram mais do que o dobro disso. Funcionários responsáveis por rastrear pessoas que tiveram contato com pessoas contaminadas ficaram "completamente sobrecarregados", de acordo com o departamento de saúde. 

Um dos ex-candidatos republicanos à Casa Branca em 2012 Herman Cain foi diagnosticado com covid-19 após ter participado do evento em Oklahoma. "Comício de Trump em Tulsa - eu estava lá! A atmosfera era emocionante e inspiradora! ", escreveu Caim no Twitter após o comício, no dia 20 de junho. Ele também postou uma fotografia sua na manifestação cercado por colegas apoiadores de Trump, todos sem máscaras. 

Milhares de apoiadores do presidente participaram desse comício, o primeiro desde o início da pandemia, que ocorreu em um estádio. O evento chamou a atenção por contar com uma multidão num local fechado, sem distanciamento social e relutante em usar máscaras, como o próprio presidente. 

Os organizadores mediram a temperatura na entrada do público e distribuíram máscaras cujo uso não era obrigatório. As imagens mostraram a  esmagadora maioria do público com o rosto descoberto. Pelo menos oito membros da equipe de campanha republicana testaram positivo para covid-19 antes e depois do comício de Tulsa, assim como vários agentes do serviço secreto responsáveis pela segurança do presidente. 

Milhares de pessoas também haviam participado das celebrações do Juneteenth em Tulsa no dia anterior, data da libertação dos últimos escravos no Texas em 1865. Ao contrário do comício, quase todos os participantes dessa celebração ao ar livre usavam máscaras e mantinham a distância social necessária/ AFP e NYT 

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