Matias Delacroix/ AP
Matias Delacroix/ AP

Ômicron se dissemina em ao menos 4 países fora da África; cientistas temem infecções em larga escala

Espanha, Estados Unidos, Escócia e Austrália já registraram casos de transmissão comunitária

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2021 | 13h26
Atualizado 03 de dezembro de 2021 | 19h22

CIDADE DO CABO - Ao menos 4 países -- Espanha, Estados Unidos, Escócia e Austrália -- já enfrentam transmissões comunitárias da recém-descoberta variante Ômicron do coronavírus, aumentando os temores de que a cepa, altamente transmissível, cause infecções em larga escala em todo o mundo.

A Espanha identificou seu primeiro caso de transmissão comunitária nesta quinta-feira, 2, em um paciente de 62 anos de Madri, vacinado e sem histórico de viagem recente ou contato com viajantes. Os Estados Unidos registraram seu primeiro caso comunitário também na quinta-feira, em um paciente de Minnesota. Nesta sexta-feira, 3, governos da Escócia e Austrália informaram que já há transmissão comunitária em seus territórios. 

"Suspeito que nos próximos meses a Ômicron será o novo vírus no mundo", Paul Kelly, o principal consultor médico do governo australiano, disse a repórteres. A variante já foi detectada em quase duas dezenas de países. 

As restrições às viagens globais aceleraram na quinta-feira, com Hong Kong, Holanda, Noruega e Rússia, entre outros, anunciando novas medidas para evitar que a variante cruze suas fronteiras.

Os casos de covid-19 quase triplicaram nos últimos três dias na África do Sul, segundo dados do Ministério da Sáude local divulgados na última quinta-feira, 2. Pesquisadores do país foram os primeiros a identificar o surgimento da variante Ômicron do coronavírus, que agora causa temores de uma possível quarta onda.

Na quinta-feira, o governo sul-africano registrou 11.535 novos casos da doença em território nacional. No dia anterior, foram 8.561 registros, enquanto na terça-feira, 30, este número foi de 4.373 casos confirmados.

A taxa de positividade para a doença também cresceu nos últimos dias. Na quinta-feira, 22,4% das pessoas testadas tiveram resultado positivo para a doença. Na quarta-feira, 1, a taxa estava em 16,5%, muito maior que o 1% registrado no início de novembro, segundo o Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis (NICD na sigla em inglês) do país.

A maioria dos novos casos ocorreu na populosa província de Gauteng, perto da grande área metropolitana de Joanesburgo, com 8.280 casos, informou o instituto.

Temor de uma quarta onda

Ainda não é possível saber se a variante Ômicron é a responsável pelo rápido aumento das infecções, pois não há dados concretos se de fato ela é mais transmissível que as cepas anteriores.

Porém, dados do NICD mostraram que a nova variante estava presente em 74% das amostras de genomas sequenciados em novembro. Até o final de outubro, a variante Delta era a dominante em todas as províncias do país.

Durante a disseminação da Delta, a África do Sul chegou a ter um pico de mais de 26 mil casos diários em julho. O temor dos cientistas é de que a Õmicron provoque uma nova onda de números recordes, já que os dados de internação também dão sinais de aumento nos últimos dias.

Além disso, um estudo preliminar publicado na quinta-feira por cientistas sul-africanos aponta que a Ômicron tem pelo menos três vezes mais probabilidade de causar reinfecção do que variantes anteriores, sugerindo que pode haver uma quebra da imunidade adquirda por infecção. A pesquisa, porém, está em fase pre-print e ainda não passou por revisão de pares.

Autoridades da província de Gauteng disseram que estão se preparando para o pior. “Não estamos entrando em pânico, mas estamos profundamente preocupados”, disse o premiê de Gauteng, David Makhura, na quinta-feira.

Baixa cobertura vacinal

A maior preocupação é com a baixa cobertura vacinal do país, que está atualmente em 36%, de acordo com o Departamento de Saúde. O temor é de que mais variantes surjam em um cenário de baixa vacinação e alta transmissão do vírus.

A hesitação frente á vacina é a maior responsável pela baixa adesão da população. O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, informou no começo desta semana que seu governo está discutindo a possibilidade de tornar a vacinação obrigatória.

O OMS (Organização Mundial da Saúde) já alertou que pode demorar semanas para que se consiga informações concretas sobre a transmissibilidade da nova cepa e se ela seria capaz de vencer a barreira da imunidade adquirida por vacinas. A grande preocupação é em torno do alto número de mutações da variante, muito superior ao das cepas anteriores.

Cientistas da África do Sul foram os primeiros que notificaram sobre a variante, mas não necessariamente é o país onde ela se originou. Ainda assim, diversos países, em especial da Europa, anunciaram restrições para voos e viajantes do país e vizinhos, causando críticas da OMS. /REUTERS, WASHINGTON POST

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