Damon Winter/The New York Times
Damon Winter/The New York Times

Casos de haitianos com cólera surgem na Flórida e na República Dominicana

Surto. Governo dominicano reforça controles na fronteira com o Haiti e deve desinfetar solas de sapatos de viajantes e pneus de todos os veículos originários do território do país vizinho, onde a doença já causou 17 mil internações e mais de 1.000 mortes

, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2010 | 00h00

A epidemia de cólera que já causou 1.034 mortes e deixou quase 17 mil pessoas internadas no Haiti chegou à República Dominicana e aos EUA, dando sinais de que pode se espalhar por outros países, prejudicar as eleições presidenciais haitianas do dia 28 e ultrapassar a barreira dos 200 mil casos no próximo ano, de acordo com projeções da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).

Num sinal de falhas do controle sanitário de fronteira, a República Dominicana, que divide com o Haiti a Ilha de Hispaniola, registrou na terça-feira o primeiro caso de cólera. Wilmo Louwe, um haitiano de 32 anos, trabalhador da construção civil, está internado desde sexta-feira. Ele havia passado duas semanas no Haiti, visitando parentes.

Ontem, uma moradora de Collier, no sudoeste da Flórida, nos EUA, também foi internada com sintomas da doença. Ela havia estado em Artibonite, no Haiti, dias antes. O local foi identificado como o foco a partir do qual a epidemia se espalhou pelo território haitiano. "Temos um caso confirmado pelos exames de laboratório", disse Rob Hayes, porta-voz do Departamento de Epidemiologia da Flórida. Autoridades americanas disseram que outros casos suspeitos "estão sendo investigados" no Estado.

O presidente dominicano, Leonel Fernández, decidiu ontem instalar uma zona de desinfecção na fronteira com o Haiti, numa tentativa de frear a propagação da doença. A partir de agora, todo pedestre ou veículo que cruzar a fronteira terá de passar por uma área onde os pneus e solas de sapatos serão desinfetados com bactericidas.

Autoridades haitianas confirmaram o registro de três casos na cidade de Ouanaminthe, que fica a 600 metros de Dajabón, do lado dominicano da fronteira. O local abriga um mercado popular binacional muito frequentado por revendedores haitianos e é considerado um possível foco de propagação da epidemia.

Autoridades dominicanas também anunciaram o envio de tropas para impedir que haitianos cruzem a fronteira sem passar pela vigilância sanitária.

Protestos. Um manifestante morreu ontem no terceiro dia de confrontos entre haitianos e tropas da ONU em Cap-Haitien, no norte do país. Desde o início dos protestos, três pessoas morreram. Os manifestantes acusam as forças de paz da ONU de espalhar a doença no país, devastado por um terremoto em janeiro. A ONU diz que os protestos têm motivação política para aumentar a tensão a duas semanas das eleições. / REUTERS, AP e AFP

PARA LEMBRAR

País tem 1,5 milhão de desabrigados

Além da epidemia de cólera, o Haiti ainda luta para superar os estragos provocados pelo terremoto de 7 graus na Escala Richter, que, em janeiro, deixou mais de 300 mil mortos e 1,5 milhão de desabrigados. Os inúmeros acampamentos espalhados em diversos pontos do país, especialmente na capital, Porto Príncipe, são vistos como locais ideais para a proliferação de doenças provocadas pelas precárias condições de higiene e a falta de acesso a água limpa e saneamento básico.

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