Casos de violência em Caracas preocupam população

Polícia investiga 3 casos de esquartejamento; ministro diz ser preocupante pessoas resolverem problemas pela violência

O Estado de S. Paulo

25 de agosto de 2014 | 12h10

(Atualizada às 16h46) CARACAS - Três casos de pessoas esquartejadas em diferentes pontos de Caracas em menos de um mês surpreendeu a população na Venezuela, país com o índice de criminalidade alto. O governo chamou os homicídios de "macabros".

Analistas especulam os motivos dos crimes, desde o narcotráfico e o envio de advertências entre grupos criminosos até razões passionais.

Em nenhum dos casos a Polícia Científica anunciou a resolução do crime. Fontes da instituição dizem que as investigações continuam e não podem antecipar informações, mas garantem que não há vinculação entre os homicídios.

O primeiro caso ocorreu em julho no oeste de Caracas. Um comerciante de origem portuguesa chamado José Enrique Maia Sardinha, de 38 anos, que tinha sido sequestrado em sua empresa quatro dias antes, apareceu esquartejado.

Aproximadamente uma semana depois, várias bolsas foram encontradas em uma cidade do leste da capital venezuelana com partes do corpo de uma pessoa identificada como o veterinário Simón Perdomo, de 22 anos, morto em sua casa.

O terceiro caso é o de Yesenia Mujica, estudante de Publicidade de 20 anos, que saiu para comemorar o fim de seu primeiro semestre e não retornou para casa. No dia seguinte, partes do corpo dela foram encontradas em diferentes pontos do oeste de Caracas.

O ministro do Interior, Miguel Rodríguez, disse que as "modalidades macabras" dos crimes são "importadas, copiadas de outras latitudes onde as vítimas são esquartejadas por homicidas que atuam com muitíssima sanha". Para o ministro, é preocupante a tendência a recorrer à violência "na hora de buscar resolver problemas de convivência".

Um quarto caso é investigado em Miranda, onde a polícia recolheu o cadáver de um homem esquartejado e jogado em um terreno no povoado de Dividivi de Charallave, na cidade de Cristóbal Rojas. O corpo foi cortado em várias partes, deixadas na mesma área e encontradas por um grupo de moradores.

Ressaltando os planos do governo, Rodríguez disse que no fim do ano as estatísticas demonstrarão uma redução de todos os delitos.

O advogado criminalista Fermín Mármol afirmou que a investigação de casos de esquartejamento geralmente é direcionada ao narcotráfico e crimes passionais. Mas ressaltou que a Venezuela não pode descartar "uma terceira possibilidade" em razão da instauração de "uma nova casta delitiva" que os investigadores batizaram como "os coco secos".

Tratam-se de grupos criminosos integrados por jovens com até 25 anos, muitos menores de idade, que consomem drogas antes e durante o crime e, em busca do controle territorial, não só matam seus inimigos, mas também enviam uma mensagem "de ferocidade" com crimes cruéis e atrozes.

O criminalista concordou com o ministro Rodríguez ao afirmar que a Venezuela sofre com a alta taxa de violência. "O venezuelano está muito propenso a reagir de maneira exagerada diante dos problemas cotidianos, conduta que incide nos crimes e temos uma alta taxa de crimes primitivos na Venezuela."

"A crise venezuelana em temas de crime e violência chegou a níveis de saúde pública", lamentou, ressaltando que o fator agravante "foi a impunidade porque de cada cem delitos, só se castigam oito", disse Mármol.

O número também é citado pelo presidente do Observatório Venezuelano de Violência (OVV), Roberto Briceño, para quem o "aumento no tom da violência" tem relação com a impunidade, que permite "um maior descaramento" na forma de cometer os crimes.

A "espetacularização da violência e do crime" também tem relação, segundo Briceño, com a sociedade do espetáculo e a atual possibilidade de delinquentes gravarem seus crimes e divulgá-los por internet ou telefones celulares.

Segundo o OVV, a violência criminal matou em 2013, 24.763 pessoas, elevando a taxa de assassinatos a 79 por 100 mil habitantes, embora os números oficiais do Ministério do Interior para esse ano mostrem uma taxa de 39 homicídios por 100 mil habitantes. / EFE

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