Casos de violência se alastram no Haiti

Enquanto militares e representantes dos Estados Unidos e do Brasil tentam acertar a estratégia para a atuação no Haiti, as condições de segurança vão se deteriorando em Porto Príncipe. Com as prisões e instalações da polícia destruídas pelo terremoto, ampliaram-se ontem os casos de saque e linchamentos e surgiram indícios de execuções sumárias. Corpos encontrados nas ruas traziam sinais de fuzilamento à queima-roupa. Quatro deles tinham as mãos amarradas para trás e um deles, os pés atados. Fontes da área de segurança confirmaram a prática de execuções pela polícia haitiana. A polícia atribui os assassinatos a criminosos.

AE, Agencia Estado

18 de janeiro de 2010 | 07h21

Os cinco corpos foram encontrados nos bairros de Bel Air e Boudon. Um deles teve o rosto desfigurado por um tiro de calibre 12 na têmpora. Havia também marcas de espancamento. Aparentemente, eles foram mortos na manhã ou na madrugada, segundo pessoas que os encontraram. "São ladrões, saqueadores, gente que se aproveita da situação", disse um haitiano. "A prisão foi destruída pelo terremoto. A polícia não está prendendo os bandidos. Está executando."

Pelo menos um caso de linchamento foi registrado por fotógrafos em Petionville, distrito da capital haitiano. Um suposto saqueador foi espancado até a morte e teve o corpo arrastado, nu, pelas ruas.

Na noite de sábado, o carro da reportagem passou por um veículo da polícia parado na rua. Depois de se distanciar algumas centenas de metros, os repórteres ouviram um disparo. A rua estava inteiramente deserta. "Tem havido execuções, mas não é a polícia", afirmou o policial Jimmy Pierre. "São bandidos, ex-presidiários, que estão matando e botando a culpa na polícia."

Corpos

Uma das prioridades é recolher os corpos espalhados pelas ruas da capital haitiana. A operação, também a cargo do Exército brasileiro, teve início no sábado, depois de autorização da Organização das Nações Unidas (ONU). Eles são fotografados e descritos em relatórios individuais, para facilitar o reconhecimento posterior pelas famílias, que podem retirá-los mais tarde para enterro definitivo.

Segundo o secretário de Estado para Alfabetização, Carol Joseph, mais de 70 mil corpos já foram enterrados em valas comuns. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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