Peru Presidency/Handout via REUTERS/File Photo (06/10/2021)
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Castillo reformula gabinete pela terceira vez em seis meses

A mais recente turbulência da política peruana começou na sexta-feira passada, com a renúncia do ministro do Interior, Avelino Guillén

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2022 | 12h07

LIMA - Sem conseguir dar alguma estabilidade à turbulenta política peruana, o presidente Pedro Castillo anunciou uma nova reformulação em seu gabinete nessa terça-feira, 1º, a terceira em 6 meses de governo.

A nova reorganização foi proposta após a saída do governo da primeira-ministra, Mirtha Vásquez, em função de divergências sobre promoções concedidas a policiais. Ao todo, 11 dos 19 membros do gabinete, incluindo ministérios chave, como Finanças e Relações Exteriores, foram trocados.

Para o lugar de Mirtha, Castillo anunciou o advogado Héctor Valer, de 62 anos, deputado eleito pelo Renovacion Popular, partido político de extrema direita no Peru. Valer se separou do RP após exigir respeito ao processo eleitoral vencido por pelo atual presidente - enquanto companheiros de legenda denunciavam uma suposta fraude.

A mudança que mais causa preocupação à estabilidade do país, no entanto, parece ser a saída do ministro das Finanças Pedro Francke. Empresários peruanos viam em Francke, um economista da esquerda moderada, um porto seguro no governo Castillo - antes da eleição, muitos temiam que o presidente optasse por uma guinada ao socialismo semelhante à Venezuela. O novo titular da pasta será o economista Óscar Graham, ex-vice-ministro de Pequenas e Médias empresas e ex-diretor de mercado financeiro do Banco Central peruano.

Por sua vez, o chanceler Óscar Maúrtua deu lugar a Landa Arroyo, um advogado e professor universitário de 63 anos, juiz aposentado da Suprema Corte. O novo gabinete tem quatro mulheres - enquanto o anterior tinha cinco - incluindo a ministra de Mineração, Alexandra Herrera, e Dina Boluarte, de Desenvolvimento Social - que também é vice-presidente.

A mais recente turbulência política começou na sexta-feira, quando o ministro do Interior, Avelino Guillén, renunciou, dizendo que o presidente não o apoiou a fazer mudanças na polícia para que as autoridades pudessem combater com mais eficiência a corrupção e o crime organizado. "O que falta ao governo é uma direção, para definir uma direção", disse Guillén no sábado.

Ontem, ao pedir demissão, Mirtha Vásquez também afirmou que Castillo não estava abordando a corrupção./ AP e AFP

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