AFP PHOTO / TIMOTHY A. CLARY
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Raúl diz que bloqueio é principal obstáculo para desenvolvimento de Cuba

Em discurso na ONU, presidente cubano destacou que política de embargo é rejeitada por 188 membros das Nações Unidas

O Estado de S. Paulo

26 Setembro 2015 | 15h16

NOVA YORK - O presidente de Cuba, Raúl Castro, garantiu neste sábado, 26, em seu primeiro discurso na Assembleia-Geral das Nações Unidas que o embargo americano é "o principal obstáculo para o desenvolvimento econômico" de seu país.

Raúl disse que o restabelecimento das relações entre Cuba e Estados Unidos é "um importante avanço", e destacou que o bloqueio "causa danos e privações ao povo cubano", além de afetar outras nações e prejudicar empresas e cidadãos americanos.

O líder cubano lembrou que essa política "é rejeitada por 188 membros das Nações Unidas”, que pedem que ela acabe.

Há meses, após o anúncio do processo para a normalização das relações com Cuba, o presidente dos EUA, Barack Obama, reivindica ao Congresso americano o levantamento do embargo, que ficou codificado como lei em 1996 mediante a legislação Helms-Burton.

"O restabelecimento das relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos, a abertura de embaixadas e as mudanças que o presidente Barack Obama declarou na política para o nosso país constituem um importante avanço, que incitou o mais amplo apoio da comunidade internacional", lembrou Raúl.

"No entanto, persiste o bloqueio econômico, comercial e financeiro contra Cuba por mais de meio século", lamentou depois.

O presidente cubano, que discursou no marco da Cúpula de Desenvolvimento Sustentável da ONU, denunciou os "níveis inaceitáveis de pobreza" com que sofrem muitas partes do mundo, o aumento da lacuna entre Norte e Sul e o aumento da "polarização da riqueza".

Segundo ele, "a instabilidade em várias regiões tem sua raiz na situação de subdesenvolvimento na qual vivem dois terços da população mundial".

Nesse sentido, o líder cubano considerou que os avanços alcançados nos últimos 15 anos com os Objetivos do Milênio foram "insuficientes" e estiveram "desigualmente distribuídos". Ele apontou como exemplo as enormes diferenças na taxa de mortalidade infantil e materna que persiste entre países ricos e países em desenvolvimento.

Raúl criticou que "ricos e companhias transnacionais ficam cada vez mais ricos" mesmo com a crise, enquanto o número de pobres aumenta, e pediu uma solução para o problema da dívida soberana "já paga várias vezes".

"Seria preciso construir outra arquitetura financeira internacional, eliminar o monopólio tecnológico e do conhecimento, e mudar a ordem econômica internacional vigente", defendeu.

O presidente cubano ainda considerou que países industrializados deveriam "aceitar sua dívida histórica e exercer o princípio de responsabilidades comuns, mas diferenciados".

Raúl deve voltar a discursar perante a Assembleia-Geral na próxima segunda-feira, 28. /EFE

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