Pau Barrena / AFP
Pau Barrena / AFP

Catalães pressionam por independência em segundo dia de protestos

Manifestações são marcadas por confrontos com policiais e interdição de grande via pública no centro de Barcelona

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2019 | 19h00

BARCELONA - Manifestantes interditaram uma estação de trem e várias estradas na região espanhola da Catalunha nesta terça-feira, 15. Hoje é o segundo dia de protestos em repúdio à sentença imposta a nove separatistas na última segunda-feira pela Suprema Corte devido ao seu papel em uma tentativa de independência fracassada. Nos protestos de ontem, houve episódios de confrontos entre manifestantes e forças de segurança e ao menos 56 ficaram feridos.

A polícia interveio para retirar os manifestantes, que compareceram em número menor do que no dia anterior. Alguns manifestantes em Barcelona jogaram latas e objetos em chama contra a tropa de choque, também incendiando lixo e outros objetos. Eles também tentaram derrubar barreiras de segurança colocadas em torno da sede do governo espanhol na cidade.

Uma manifestação no centro de Barcelona fechou uma grande via pública ao tráfego, e líderes pró-independência prometeram continuar pressionando por um novo referendo.

Várias outras manifestações estavam planejadas ainda para esta terça-feira, e a confederação de sindicatos trabalhistas pró-secessão IAC anunciou uma greve geral na Catalunha na próxima sexta-feira, 18, contra leis trabalhistas que sindicatos dizem infringir direitos dos trabalhadores.

Oriol Junqueras recebeu a pena mais longa, de 13 anos, por seu papel na organização do referendo de 2017, que foi considerado ilegal. Na primeira entrevista após a sentença, ele disse à agência Reuters que isso só consolidará o movimento independentista. “Não pararemos de pensar o que pensamos, ideais não podem ser descarrilados por penas (de prisão)”, disse ele, que garantiu que um novo referendo é “inevitável”.

O chefe do governo regional, Quim Torra, defendeu os protestos em massa em reação a condenações que descreveu como inaceitáveis.“Começa um novo estágio em que tomamos a iniciativa e colocamos a implementação do direito de autodeterminação de volta ao centro” das propostas, falou. 

Início dos protestos

Na última segunda-feira, 14, os manifestantes bloquearam ferrovias e milhares ocuparam o aeroporto internacional de Barcelona, onde algumas entraram em confronto com a polícia, depois que Junqueras e outros oito foram condenados. Um porta-voz do aeroporto disse que cancelou 110 voos ontem e outros 45 nesta terça-feira devido à interrupção da operação. 

Todos os réus foram absolvidos da mais grave acusação, rebelião, mas a duração das penas de prisão - que Junqueras disse que planejavam recorrer em um tribunal europeu - provocaram raiva na Catalunha.

Dois anos após o desastre do primeiro plebiscito, a independência da Catalunha ainda domina grande parte do debate político fragmentado da Espanha, e a decisão provavelmente colorirá uma eleição nacional em 10 de novembro, a quarta da Espanha em quatro anos.

O ministro interino das Relações Exteriores, Josep Borrell, reconheceu que a questão colocada à Espanha pela campanha pela independência não terminará com a sentença: "Ontem, hoje e amanhã, continua sendo um problema político que precisa ser resolvido", afirmou ele, pedindo por diálogo dentro da estrutura da constituição.

Possibilidade de diálogo

Um diálogo pode focar em maior autonomia para a Catalunha, possivelmente dentro de uma estrutura plurinacional mais federal na Espanha, falou Santi Vila, um dos três líderes condenados que não foram enviados para a prisão.

Um crítico conhecido da agenda secessionista que havia renunciado como conselheiro de negócios do governo catalão pouco antes da declaração de independência, Vila pediu uma nova eleição na região, algo que Torra se opõe ao chefe de governo regional. "Parece razoável que, quando dois governos têm esse problema de comunicação é importante perguntar aos cidadãos se o caminho a seguir está correto ou não", disse. 

Os principais partidos da Espanha se recusaram a realizar um referendo de independência na Catalunha, apesar de o governo socialista em exercício dizer que está aberto ao diálogo sobre outras questões.

A porta-voz do gabinete Isabel Celaa disse que era hora de “iniciar um novo capítulo político”, insistindo que o governo queria conversar com os catalães - dentro da estrutura da Constituição.

Diana Riba, mulher do líder condenado Raul Romeva, disse que a campanha pela independência prevaleceria com o tempo. “Esse é um processo muito longo, mas veremos resultados como vimos com o movimento feminista, como eles cresceram até se tornarem massivos e alcançarem os direitos que estavam buscando”, afirmou ela, pedindo que “todos saiam às ruas”. / REUTERS

 

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