AFP PHOTO / LLUIS GENE
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Catalães protestam contra prisão de líderes independentistas

Manifestações podem aumentar ainda mais a tensão entre o governo regional e o central; para ministro de Justiça espanhol, detenção de separatistas foi uma questão judicial e não política

O Estado de S.Paulo

17 Outubro 2017 | 08h53
Atualizado 17 Outubro 2017 | 10h49

MADRI - A Catalunha vive nesta terça-feira, 17, um dia de protestos contra a prisão dos líderes independentistas catalães, o que pode aumentar ainda mais a tensão entre o governo regional e o central. "Infelizmente, temos presos políticos outra vez", afirmou o líder do governo catalão, Carles Puigdemont.

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Puigdemont, parte de seu governo e a prefeita de Barcelona, Ada Colau, lideram um protesto contra a prisão de Jordi Cuixart, da associação Omnium Cultural, e de Jordi Sánchez, da Assembleia Nacional Catalã (ANC), com centenas de pessoas na praça Sant Jaume. Os manifestantes gritavam "liberdade, independência", "a solução não é a repressão" e "liberdade para os presos políticos".

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Os próximos dias podem ser cruciais para o futuro do conflito entre os governos de Madri e Barcelona, uma situação que levou o Executivo central a reduzir a previsão de crescimento econômico de 2018, de 2,6% para 2,3%.

Segundo o ministro da Justiça da Espanha, Rafael Catala, a detenção de ativistas catalães na segunda-feira - a primeira prisão de figuras importantes da campanha separatista desde o plebiscito realizado no dia 1.º de outubro sobre a secessão da região - foi uma questão judicial, e não política.

Um tribunal espanhol determinou que os chefes dos grupos pró-independência Assembleia Nacional Catalã (ANC) e Omni fossem presos sem direito a fiança durante investigações sobre suspeita de insubordinação. “Eles não são presos políticos porque a decisão de prisão de ontem ocorreu em razão de um crime”, disse o ministro em um evento em Madri.

Cuixart e Sánchez foram presos à espera do julgamento por determinação da juíza Carmen Lamela, da Audiência Nacional, suspeitos de convocar e liderar os protestos contra uma operação da polícia que procurava provas do plebiscito de independência, considerado ilegal por Madri.

Omnium e ANC convocaram protestos para esta manhã e uma manifestação durante a noite no centro de Barcelona. Outros protestos devem acontecer durante a tarde diante das sedes das delegações do governo espanhol nas quatro capitais de província da Catalunha (Tarragona, Lérida, Gerona e Barcelona).

O crime de sedição pode resultar em uma pena de até 15 anos de prisão. No mesmo processo estão indiciados o chefe da polícia catalã, Josep Lluís Trapero, e uma auxiliar dele, Teresa Laplana, que permanecerão em liberdade, mas impedidos de deixar o país e com a obrigação de comparecer periodicamente ao tribunal.

Os autos apontam Sánchez e Cuixart como os "principais promotores e diretores" de uma concentração no dia 20 de setembro diante de um edifício do governo catalão, onde a polícia espanhola fazia buscas para impedir o plebiscito. Os manifestantes danificaram vários veículos policiais e dificultaram por horas a saída dos agentes.

A juíza determinou a prisão porque temia a possibilidade de "destruição de fontes de prova" ou "recorrência do delito" já que, segundo ela, os dois pertencem a um "grupo organizado que busca fora das vias legais a independência da Catalunha". / REUTERS e AFP

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