Catalães sonham, mais uma vez, com a independência

Amanhã, os catalães irão às urnas. Eles dirão se querem que sua região, a Catalunha, se torne independente, se desligue da Espanha e diga adeus a Madri.

Gilles Lapouge*, O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2015 | 02h03

Essa votação não é uma novidade. Os catalães estão acostumados. Votaram três vezes em cinco anos, cada vez acreditando que conseguiriam a independência, mas sempre se frustraram e o sonho se desfez.

Desta vez, talvez o sonho se torne realidade. A votação, convocada para a escolha do Parlamento regional, é na realidade uma espécie de referendo sobre a independência. De fato, embora o atual presidente da Generalitat (o governo catalão) que o convocou seja um homem de direita (Artur Mas), a direita e a esquerda juntaram forças para essa ocasião. A direita da Convergência Democrática (CD) e a esquerda republicana (ERC) uniram-se na lista Junts pel Sí (Juntos pelo Sim).

A número dois dessa última formação, Carme Forcadell, explica: "O que faremos domingo (amanhã) é a coisa mais importante de toda nossa história, porque nós sofremos há 300 anos".

A reunião nesta mesma lista

de pessoas que se detestam (direita e esquerda) manifesta a resolução da maioria dos catalães: "Tudo, menos Madri!"

Um militante catalão de esquerda explica seu gesto: "Preferiria listas separadas para não votar num homem de direita como Artur Mas. Entretanto, temos urgência de conseguir o poder de decidirmos por nós mesmos!".

Mas os anti-independentistas não desapareceram. Eles se batem, de unhas e dentes, e fustigam a lista Junts. O líder do governo de Madri, Mariano Rajoy, opõe aos lirismos dos catalães a frieza da lei. E indaga se os habitantes da Catalunha, caso consigam a independência, poderão conservar a nacionalidade espanhola.

Se a lista Junts pel Sí ganhar, ela se comprometerá a preparar a secessão da Espanha nos 18 meses seguintes. "Se ganharmos", afirma o independentista Raúl Romeva, "a única coisa que negociaremos com Madri será a independência". E, pelas ameaças de Rajoy, não será nada fácil. (Tradução de Anna Capovila).

*É correspondente em Paris

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