AP Photo/Emilio Morenatti
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Catalães vão às ruas após tentativas de Madri de frear referendo separatista

Milhares de apoiadores do movimento independentista protestam em Barcelona nesta sexta-feira para pressionar Madri e a Justiça espanhola depois das ações nesta semana que tentaram impedir a realização da consulta, em 1º de outubro

O Estado de S.Paulo

22 Setembro 2017 | 10h10

BARCELONA - O movimento independentista catalão recorre a várias manifestações nesta sexta-feira, 22, em Barcelona como resposta às operações policiais de Madri para impedir a realização do referendo de autodeterminação previsto para 1º de outubro, mantido pelo executivo regional apesar da oposição do governo central.

As medidas policiais, judiciais e políticas contra a votação e seus organizadores, com a apreensão de material eleitoral, intervenção financeira no governo regional, multas e detenções dos responsáveis políticos, foram um duro golpe contra a votação e serviram para acender os ânimos na região.

Nesta sexta-feira, centenas de manifestantes protestavam na frente de um tribunal durante as audiências dos altos funcionários do governo catalão detidos na quarta-feira. Ao mesmo tempo, milhares de estudantes protestavam na sede histórica da Universidade de Barcelona.

Uma concentração de independentistas também se reunia na frente do Tribunal Superior de Justiça da região, prometendo permanecerem por lá até que os detidos sejam libertados.

"Qualquer uma destas ações que estão fazendo, podem não perceber, mas serão como um bumerangue contra eles mesmos", advertiu ao governo espanhol e à Justiça do país o porta-voz do executivo catalão, Jordi Turull.

Em Madri, a vice-premiê, Soraya Sáenz de Santamaría, respondeu com uma ameaça velada ao presidente da região separatista, Carles Puigdemont. "Até quando Puigdemont seguirá abusando e elevando a tensão da população na Catalunha?"

Pressão policial

Apesar de o chanceler espanhol, Mariano Rajoy, ter afirmado que o referendo catão tinha sido desarticulado depois da prisão de 14 funcionários do governo regional e da apreensão de milhões de cédulas eleitorais, as operações policiais se mantém ativas.

"Continuamos com as instruções dadas pela procuradoria" de apreender o material relacionado à consulta, disse um porta-voz da Guarda Civil, observando que realizaram uma inspeção "com resultado negativo" em uma empresa de embalagens em papel cartão em Ódena, a 60 km de Barcelona.

"Acreditamos que eles buscavam pelas urnas (cuja localização é secreta), mas não temos nenhuma relação com elas", disse uma funcionária da empresa sem se identificar.

O ministro de Interior da Espanha, Juan Ignacio Zoido, também advertiu por carta o governo regional da Catalunha sobre o envio de reforços da Policia Nacional e da Guarda Civil, que "atuarão caso o referendo ilegal seja mantido".

'Catalunha votará'

Apesar das ameaças, o governo de Puigdemont reiterou que não renunciará à votação, suspensa pelo Tribunal Constitucional. "Nos desculpem Espanha, mas a Catalunha votará sobre a independência gostem vocês ou não", afirmou o presidente regional em artigo publicado no jornal americano The Washington Post, na qual também reclamou de passar "três séculos sob poder de Madri".

As ações da Justiça e da polícia espanhola, no entanto, conseguiram alterar os planos de Puigdemont. Nesta sexta, o número dois do Departamento de Vice-Presidência, Josep Maria Jové - um dos homens-chave na organização da votação -, foi desligado do governo.

Jové está entre os detidos na quarta-feira ao lado de outras 13 pessoas ligada à organização do referendo. Ele foi multado em € 12 mil pelo Tribunal Constitucional por desobedecer a ordem de suspender a votação. "A melhor maneira para proteger esta pessoa, ante este despropósito (de Madri), é decretar sua saída do governo", disse Turull.

Jové e outras cinco pessoas, ainda mantidas presas, devem ser ouvidos nesta sexta por um juiz no mesmo tribunal onde centenas de catalães estavam protestando ao gritos de "libertem os detidos".

Com as unhas pintadas nas cores da bandeira independentista, Miriam de Simón estava indignada. "Viemos respaldar nossos governantes. Vamos aguentar mais de dez dias (com os protestos)", garantiu esta funcionária de uma loja de 50 anos. / AFP

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