REUTERS/Andrea Comas
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Catalunha vai às urnas focada em debate sobre independência

Separatistas esperam alcançar uma vitória esmagadora para lançar a pedra fundamental para a independência da região da Espanha

O Estado de S. Paulo

25 Setembro 2015 | 18h00

BARCELONA - A Catalunha se aproxima de seu momento decisivo com o encerramento, nesta sexta-feira, 25, da campanha para as eleições regionais de domingo, em que os separatistas esperam alcançar uma vitória esmagadora para lançar a pedra fundamental para a independência da região da Espanha.

No papel, são apenas algumas eleições regionais para renovar o Parlamento desta região industrial do nordeste da Espanha, de 7,5 milhões de pessoas, entre os Pirineus e o Mediterrâneo. Mas o presidente regional, o separatista Artur Mas, quer transformar a votação em um referendo a favor ou contra uma República Catalã em 2017, aumentando a tensão com o governo de Madri.

Após um século de divergências e tensões com Madri pela língua – reprimida durante a ditadura de Francisco Franco (1939-1975) – e pelas regulamentações fiscais, a paciência de muitos catalães acabou com a crise econômica. Irritados com a invalidação parcial, em 2010 pelo Tribunal Constitucional, de uma lei que dava mais poderes ao governo regional, os nacionalistas pedem desde 2012 um referendo de autodeterminação.

Diante da rejeição do governo do primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy, decidiram organizar um simbólico em novembro e obtiveram 1,9 milhão de votos a favor da independência, de um total de 2,3 milhões de participantes. Agora buscam maioria no Parlamento regional (68 votos de 135 integrantes) para lançar um processo de independência.

Bancos, empregadores e mercados estão preocupados com as consequências na economia do país, que após uma longa crise começa a avançar, com crescimento esperado de 3,3% em 2015. Sem a Catalunha, a Espanha perderia 25% de suas exportações, 19% do PIB, 16% da sua população, sua principal porta de entrada para a Europa e sua região mais turística.

Rajoy insistiu que “a Catalunha não será independente” e pediu uma votação “responsável”. Seus ministros alertam que uma secessão significaria a saída da União Europeia, uma taxa de desemprego de 37% e uma queda de 44% das pensões e aposentadorias. Segundo o instituto Metroscopia, apenas 20 ou 25% dos catalães são realmente a favor da independência. / AFP

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