Catalunha vira fator decisivo para governo da Espanha

Catalunha vira fator decisivo para governo da Espanha

Enquanto Rajoy luta para manter poder, PSOE impõe ‘integridade territorial’ em negociação com esquerda radical

Andrei Netto, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S. Paulo

28 de dezembro de 2015 | 20h09

O futuro da Catalunha e de seu movimento independentista tornou-se um fator decisivo para a definição de quem governará a Espanha. Com o primeiro-ministro Mariano Rajoy, do Partido Popular (PP, direita), em dificuldades para formar uma coalizão, as atenções estão voltadas a uma possível aliança entre dois partidos de esquerda, o socialista (PSOE) e o Podemos, que divergem quanto à realização de um plebiscito sobre a independência da região.

A Espanha chega nesta terça-feira ao 10.º dia de impasse político após as eleições que resultaram no fim do bipartidarismo e na divisão do Parlamento entre quatro grandes partidos. Com isso, ninguém sabe quem governará o país. Vencedor com 28,7% dos votos, Rajoy não consegue reunir o apoio necessário no Legislativo nem mesmo para aprovar a formação de um governo minoritário. Nesta segunda-feira, em encontro com o líder do Podemos, Pablo Iglesias, Rajoy recebeu mais um “não” sobre um eventual apoio.

Com o passar dos dias, reforça-se a hipótese de que Pedro Sánchez, secretário-geral do PSOE, segundo colocado na eleição, com 22,02% dos votos, seja incumbido de buscar uma coalizão. Sánchez voltou nesta segunda-feira a evocar essa possibilidade. “Se Rajoy fracassar em sua intenção de formar um governo, o PSOE, como alternativa eleita pelos espanhóis, assumirá sua legítima responsabilidade”, advertiu, propondo desde já um plano de oito pontos para uma aliança suprapartidária, que incluiria reformas constitucionais e a consolidação do Estado de bem-estar social.

Entre os oito pontos, Sánchez mencionou o princípio da “integridade territorial”, uma alusão direta ao movimento independentista na Catalunha e no País Basco. “Não dialogaremos sobre questões prévias à política, como a integridade territorial da Espanha”, argumentou, em uma referência ao Podemos, partido que prega a realização do plebiscito. “A crise de convivência na Catalunha só se resolverá com um novo acordo, com a reforma constitucional federal que propomos.”

A Catalunha é o principal ponto de divergência entre PSOE e Podemos. O partido radical defende o princípio da autodeterminação, que daria aos catalães o direito de escolher se querem fazer parte da Espanha ou se tornarem independentes. Ontem, o Comitê Federal do PSOE enviou um recado direto a Pablo Iglesias: ou o Podemos abre mão de sua bandeira, ou não haverá acordo para coalizão.

Iglesias, por sua vez, manteve posição de desafio ao PSOE. Disse estar decepcionado com a conversa que teve com Sánchez na semana passada e acusou os socialistas de estarem a ponto de apoiar Rajoy na formação de um governo. “Estamos abertos a qualquer alternativa que permita que o PP não governe.”

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