Mahmud Hams/AFP
Mahmud Hams/AFP

Catar anuncia ajuda de US$ 500 milhões para reconstrução de Gaza

Prejuízo total causado por confronto entre forças militares de Israel e grupo palestino Hamas ainda não foi calculado; doações internacionais não serão usadas por movimento islamita

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2021 | 18h25

DOHA - O governo do Catar vai destinar US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,6 bilhões) para a reconstrução da Faixa de Gaza, bombardeada durante o mais recente conflito entre as forças militares de Israel e o grupo palestino Hamas. A destruição nas últimas duas semanas causou o prejuízo de centenas de milhões de dólares em estimativas preliminares. 

O ministro das Relações Exteriores do país do Golfo Pérsico, Sheikh Mohammed Al-Thani, fez o anúncio em uma postagem no Twitter. “Seguindo as instruções de Sua Majestade o Sheikh Tamim bin Hamad Al Thani, Emir do Catar, o Estado anuncia 500 milhões de dólares em auxílio à reconstrução de Gaza. Continuaremos a apoiar nossos irmãos na Palestina para alcançar uma solução justa e duradoura através do estabelecimento de um Estado independente”, publicou Al-Thani, defendendo a criação de um Estado palestino, o que desagrada o governo do primeiro-ministro de Israel Binyamin Netanyahu.

Em Gaza, o líder do Hamas Yehiyeh Sinwar disse a jornalistas que o grupo concordava com a ajuda internacional para a reconstrução, desde que não viesse de Israel e não tivesse obstáculos para a supervisão internacional. "Enfatizo o compromisso do Hamas de que não usaremos um único centavo do que" estiver reservado para a reconstrução. Temos fontes de recursos confortáveis para

cobrir nossas atividades", disse Sinwar. Um dos principais financiadores do grupo é 

o rival de Israel, o Irã.

O Catar, que historicamente atua como mediador entre Israel e o Hamas, já distribuiu centenas de milhões de dólares em ajuda humanitária aos palestinos e contribuiu para a trégua em conflitos anteriores.

O mais recente conflito na região começou após desentendimentos entre a polícia israelense e palestinos na Mesquita de Al-Aqsa em 10 de maio. Israel comemora nesse dia o aniversário da conquista da parte oriental de Jerusalém, reivindicada pelos palestinos, na Guerra dos Seis Dias em 1967.

A polícia disparou gás lacrimogênio e bombas de efeito moral que alcançaram o interior da mesquita, que recebia grande número de muçulmanos por causa do Ramadã, mês sagrado para o islamismo. Em resposta aos cerca de 300 feridos no santuário, o Hamas disparou

foguetes contra Israel. Nos dez dias seguintes, 254 palestinos foram mortos por ataques israelenses na Faixa de Gaza. Em Israel, 12 pessoas morreram.

Blinken visita Egito e Jordânia

O secretário de Estado americano, Antony Blinken, deu sequência a sua viagem ao Oriente Médio nesta quinta com visitas ao Egito e Jordânia depois de ter se reunido com autoridades israelenses e palestinas. No Egito, o secretário se encontrou com o presidente Abdel Fattah Al-Sisi. O secretário descreveu o Egito como um “parceiro real e eficaz, que ajudou a encerrar a guerra de Gaza”. Já al-Sisi divulgou um comunicado em que pede "engajamento americano ativo" para trazer Israel e os palestinos de volta às negociações.

No fim do dia, Blinken viajou à Jordânia para se encontrar com o rei Abdullah II e prometeu “reunir apoio internacional” para reconstruir Gaza. A preocupação do secretário, porém, é garantir que nenhuma parte da ajuda chegue ao Hamas. O pacote imediato de ajuda americana à Gaza e aos palestinos vai ser de US$ 40 milhões de dólares. Ao todo, o governo Biden promete em quatro anos US$ 360 milhões em resposta ao corte de recursos durante o governo Trump. . /Com AFP e REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.